Gincana radical
Essas manifestações que tomam conta do País, a despeito de seu caráter difuso e mobilizador, é, antes de tudo, um "happening" artístico, tantas as frases de espírito que adornam faixas e cartazes. Uma de Foz do Iguaçu tem expressivo poder de síntese: "Seu filho adoeceu? Leve-o a um estádio". Ou a da Capital: "Me chame de Copa e investe em mim!", em tom de apelo. Naquela a ausência de noção de prioridades e nesse a revelação de que o faraonismo, induzido pela Fifa e que faz a alegria de empreiteiros e dos superfaturamentos, é o traço mais desumanizante de tudo.
Esses dois saques no meio da "brainstorm" coletiva sintetizam uma das variáveis em cima do circo que, segundo cálculos em denúncias, custará várias vezes mais do que o da África do Sul que já foi um absurdo porque o público de lá não têm o direito de acesso aos gigantes construídos pelo alto custo de botá-los em funcionamento, daí porque as disputas regionais são feitas em centros de treinamento, isso sem contar que a renda prevista para o turismo não atingiu o esperado. Os planos de aproveitamento de estádios como o de Manaus, Cuiabá e Brasília dependerão de custosos arranjos para não ficarem ociosos, já que os times dessas áreas não competem sequer na série B da disputa nacional, o que repete em parte a saga africana.
Captarão os políticos que eles como categoria são os mais visados? O senador Roberto Requião, ao criticar o aproveitamento das vaias em Dilma por setores de oposição, afirmou que elas eram dirigidas contra todos, inclusive ele, para despertar a lucidez da fauna. A arregimentação é internacional: as colônias de brasileiros no exterior, Europa e América do Norte saíram às ruas, tudo em programação de eventos pela internet. Que aqueceu dá para perceber, mas não é fácil imaginar o próximo lance. Pode até ser o caos, pois a mudança desejável, como as revolucionárias, fica sempre bem distante do possível.

Vale tudo
"Põe o Lucas, tira o Hulk!" era um dos apelos da marcha anteontem. Um pouquinho do que chamavam de "alienação" nos anos 50-60 não faz mal algum.

Pedágio
Há um setor do governo que defende a liberação das informações sobre acertos com o pedágio (o rompimento da caixa preta, bolsa de Pandora) como meio de brecar novas arregimentação de CPI. É minoritária, pois ela é vista com mais cuidados do que a própria intimidade do governador.

Planilha
Em São Paulo, diante da onda criada, o Ministério Público estadual quer a decodificação da planilha das tarifas de ônibus, aliás algo que nunca houve por aqui e quem fala, no caso o jornalista, é ex-integrante do Conselho que tratava do assunto.

Tráfico
Um veterinário foi apanhado cultivando maconha transgênica em casa e a mulher apontada como chefe do tráfico na rodoviária Guadalupe, presa pela PF e PM, se diz integrante do PCC, este provavelmente fora das passeatas de anteontem.

Folclore
Fala-se no sumiço de R$ 160 milhões em vale transporte, metálicos e de papel, até hoje não detectados pela Urbs no sistema de Curitiba, o que é afirmado por gente da área. Consequência de caixa preta, igual a essa do governo estadual que oculta os acertos com as concessionárias do pedágio. Houve falsificação, extravio e descontrole das emissões.

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