LUIZ GERALDO MAZZA
Náusea existencial
Há, como tenho dito, um tipo de náusea que o Engov não cura: aquela sartreana e existencial. Estamos agora diante de microinsurreições por causa da passagem dos ônibus e em São Paulo, especialmente, percebendo-se que ela se liga a um tipo de rebeldia urbana, globalizada, a das pichações, outro sintoma claro de insatisfação, especialmente dos jovens, nem sempre excluídos pela pobreza.
Quando se fala em tanto martírio das nossas esquerdas, mesmo aquelas que se dispuseram a pegar em armas, é visível que boa parte delas não correu riscos como o desses alpinistas que deixam suas imagens nos até trinta, quarenta, andares de uma edificação, na vertigem dos abismos, como se essa ousadia lhes conferisse momentos de euforia que negam a rebeldia sem causa.
É óbvio que dez centavos a menos numa tarifa não resolve nem um problema de orçamento doméstico, posto que isso sirva para promover politicamente e de forma bem primária os que a adotam, prefeitos ou governadores, o que é típico do nosso subdesenvolvimento. Na sociedade aureolada pelo regime de cotas e de bolsas escola e família há todas as condições para que a juventude brigue, como estratégia da União Nacional dos Estudantes, pelo passe livre, hoje um tanto difícil até em centro espírita. No país do vale-alimentação (nele até os magistrados da instância superior se abraçam), do vale-transporte e da Vale do Rio Doce privatizada, hoje dando mais recursos ao Brasil do que quando era estatal, é possível divisar o peso da angústia, da ausência de caminhos, da falta de opções profissionais aos jovens, nessa maratona insana que alguns safados pretendem trazer até nós para revanche de derrota eleitoral.
No meio de tanto non sense, a coragem do governador e do prefeito de São Paulo afirmando que não cederão e não baixarão a tarifa, apesar do ulular das massas em várias cidades brasileiras, é paradigma. Comportamento insólito no país das concessões, paraíso dos coitados, dos carentes eternos para agarrar-se às tetas túrgidas do gigante estatal, impotente e inflado.
Água
A água da Sanepar é de qualidade tão boa, que jamais foi colocada sob suspeita. Seus níveis de potabilidade é que projetam a empresa bem mais do que os seus esgotos já denunciados pelo Ministério Público porque lançados sem qualquer tratamento na bacia do rio Iguaçu, o segundo mais poluído do país. Por isso uma reclamação de usuário, ontem, de que a sua turbidez era suspeita movimentou seus técnicos para explicá-la. Uma explicação dessas vale mais do que um anúncio massivo, sofisticado, na televisão.
Saiu
É claro que a crise financeira que solapa o governo está aí tão viva quanto a inflação, mas ontem saiu a folha suplementar da diferença do reajuste de maio, o que é bem mais relevante do que o desconto na tarifa de ônibus que alcança menos beneficiários. Só que aumenta, como sempre, os gastos.
Folclore
Um ex-jogador de futebol, surpreendido pela mulher com aventuras na internet, teve seu corpo queimado por água fervente. Qual o utensílio doméstico (será que dona Dilma não favorece a colocação do computador no "Minha Casa, Minha Vida"?) de maior risco: o fogão a gás, o mais universal de todos, ou a internet.
Quebra
Por não pagar os R$ 60 mil de aluguel a Diretoria da Polícia Civil está sendo despejada. E dizem que não há crise financeira, aqueles da lua de mel.





