LUIZ GERALDO MAZZA
Refresca, não salva
A concessão da liminar pelo CNJ especificamente contra o eventual uso dos depósitos judiciais limita severamente o alcance desejado por Beto Richa na adoção do Caixa Único. Sem aqueles recursos, refresca, mas não salva. O TJ pode recorrer, mas tudo indica que respeitará a restrição apontada.
Insubordinação já
Uma certa medida de insubordinação não faz mal a ninguém, ao contrário pelas contradições que gera acaba sendo saudável. Operadores financeiros estatais, por exemplo, estão conscientes do risco do vexame: a possibilidade concreta de o governo estadual não ter como honrar folhas de pagamento. Sabem, como também os procuradores do Estado da área fiscal, que há uma fortuna pendente superior a R$ 10 bilhões na dívida ativa. E foi por isso, de certa forma, que criaram a CPI dos grandes devedores do fisco e que parecem contar com uma blindagem nada desprezível para que não se os acione. Em função de algumas gestões na área já tivemos situações complicadas como a de Manguinhos que teria provocado a saída de agentes que nela intervieram.
São situações como essas que reclamam a quebra de fidelidade política em favor da exação institucional como se dá às vezes com os quadros técnicos do Tribunal de Contas não acomodados às razões que o plenário julgador aceita por imperiosidade política e manutenção do convívio intraestatal. São ocasiões como essas que abrem clareiras naquilo que deveria ser rotina: a transparência em processos
administrativos.
Como é possível num quadro de crise haver a compra de um hotel 5 estrelas para sediar a Procuradoria Geral do Estado e todo mundo aceitá-la como se não estivesse eivada de suspeitas: focos de resistência interna rareiam como se nota no andamento dessa outra vergonheira do "Tudo Aqui".
Prensa
Incrível como o CNJ é um lubrificante na mecânica judiciária: foi preciso sua intervenção para que o Órgão Especial do nosso TJ, por unanimidade, rompesse a rede de proteção que favorecia uma família na questão das falências. Ora se tinha essa proteção é porque o Judiciário a sustentava e é indispensável ver como é que isso se dava para reconstituir a ordem jurídica violada. Caixa preta não vale.
Desmoralizante
Protegidas pelos contratos leoninos, as concessionárias do pedágio se acreditam invulneráveis, mas uma publicação ontem desta FOLHA as coloca em situação delicada: a PR-092, entre Wenceslau Braz e a BR-153 (proximidades de Santo Antônio da Platina), é melhor, mas muito melhor, do que a BR-369 que é pedagiada. Precisamos de exemplos pontuais como esse para desmoralizar essa negociata gigante que tantos prejuízos causa à nossa economia.
Háulico, nem pensar
Leal, sem ser áulico, Luiz Carlos Hauly, secretário de Finanças, diz que está tudo equilibrado, mas que uma crise mundial pode afetar o Paraná. Normalmente segue o cantochão de atribuir à União o drama do Estado gastador e que nada faz para remover as pendências com o governo federal. Desídia, nada mais.
Folclore
- Quero falar com o Procurador.
- Nesse momento ele está na sauna.
- Fora daqui?
- Não. No seu gabinete.





