LUIZ GERALDO MAZZA
Perda de autonomia
O que pesa mais: a possível venda do Positivo para multinacional ou a vitória do TRF no Paraná? De repente as coisas não são bem assim: o TRF ainda não está consolidado pois corre o risco de contestação, como já havia previsto Renan Calheiros e a operação com o grupo educacional pode se tratar de sociedade e, portanto, de investimento, abertura de capital.
Um dos efeitos da globalização é a contrapartida da "desregionalização", isso é o fim das organizações, por mais bem estruturadas que sejam, do seu traço regional. No Paraná há um histórico de perdas como as da Refripar, de Hermes Macedo (maior rede de varejo da América Latina), a gigante moveleira Móveis Cimo, Viação Nossa Senhora da Penha, Bamerindus. Tais fusões e desaparecimentos se deram bem antes da fase mais consistente da globalização, mas tiraram expressivo raio de autonomia de organizações locais. Depois tivemos impactos mais profundos como a perda do controle do Pão de Açúcar.
Num momento em que decantamos, através do Paraná Competitivo, a chegada de organizações de porte, às quais concedemos estímulos de variada ordem como decorrência da Guerra Fiscal, não dá para lamentar as perdas, uma das quais, o Matte Leão, ainda sangra. A autonomia hoje é ditada pela densidade dos investimentos, pelo apuro moderno do mercado, o que não impede a manutenção de modelos como o do cooperativismo em destaque nacional como os paradigmas da Coamo entre outros alcançando patamares de industrialização intensiva e com agressividade horizontal e vertical para a competição.
Prioridade
Melhor, bem melhor, do que a conquista do TRF6 seria o desatar dos nós que amarram a contingência paranaense com o seu governo seprocado e aí, sim, liberado para receber transferências da União e investimentos.
Santagem
Vivemos o tempo do eufemismo: o governo, por exemplo, não privatiza e sim faz concessões e os partidos como o PMDB, campeão na especialidade, só desejam compartilhar e não fazer chantagens rescendendo a fisiologismo. Agora, por exemplo, com a crise instalada no PMDB paranaense, a maioria da Câmara Federal contra as intervenções em diretórios regionais, sugere-se que a maior parte da bancada poderia votar contra o governo federal como meio de pressão.
Não se trata de chantagem, mas de santagem, uma causa santa.
Referendo
É provisório, mas como o amor, segundo Vinicius de Moraes "eterno enquanto dure", o feito do Coritiba na liderança do brasileiro. Nos quatro jogos expôs deficiências em fundamentos como o posicionamento da defesa, a saída de bola, a precariedade nos passes e nas finalizações, mostrando-se inferior, a maior parte do jogo, contra o Fluminense e salvo por duas jogadas do Alex que também sumiu da disputa. Não convencendo, mas vencendo, ao menos mantém a torcida, desconfiada, mas antenada. Se perder não será um espanto. Quanto mais se tornar evidente a sua fragilidade sentirá o efeito no quadro social, forma fulminante de referendo no futebol.
Folclore
Paula Nei, tão boêmio quanto o nosso Emílio de Menezes, faz exame no curso de Medicina e o catedrático lhe pergunta quantos ossos há na cabeça. Depois de alguma perplexidade, coçando os cabelos e apontando pra cabeça chuta "está tudo aqui, com a mais absoluta certeza, só que eu esqueci!".





