LUIZ GERALDO MAZZA
Alerta inútil
O disparo, há muito tempo, do alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal ao governo tem sido inútil. Basta ver que ele antecede prodigalidades como a da compra do edifício da rua Mauá pelo Judiciário e essa tortuosa aquisição de um hotel, praticamente no centro da cidade, para sediar a Procuradoria Geral do Estado. Não importa que fundos como o do Judiciário e o da Procuradoria deem a sustentação nominal, formal, às operações. Somente na hora em que se dispôs a uma atitude de austeridade concreta, a de parcelar o aumento do funcionalismo, é que o governo parece ter tomado noção da gravidade da quadra em que se encontra. Há outras operações em andamento como uma que no Centro Cívico vai permitir a construção da sede própria do Ministério Público. Obviamente que para cada um desses casos como aquele caviloso do "Tudo aqui" há justificativa que o ornamentalismo burocrático sustenta, mas visivelmente incompatível com uma conjuntura que exige contenção para que não tenhamos o vexame, a qualquer momento, de não haver como pagar a folha do funcionalismo estadual.
Intervenção
O PMDB não vai rachar por causa da intervenção nos 74 diretórios, incluindo o da capital, mas certamente encontrará dificuldades de metabolizar a operação se a Justiça Eleitoral, já provocada, pronunciar-se. Além do recurso judicial há o administrativo nas instâncias superiores do partido, a direção nacional. Em princípio a manobra visaria decretar uma espécie de "capitis diminutio" contra o senador equivalente a da base aliada em cima de novos partidos como o da Marina Silva. É extremamente confuso saber se Beto Richa ou a ministra Gleisi serão os beneficiários porque a questão numérica não clareia os que terão a maior vantagem, tantos os oportunismos presentes na jogada.
Retorno
A unidade de amônia e ureia da Petrobras, que era estatal e se tornou privada com a Fosfértil, retornou à origem. É um contraponto na fase agressiva de concessões (eufemismo usado para ocultar a satanizada privatização de portos, aeroportos e estradas) e que coloca em relevo a figura técnica da presidente da estatal, Graça Foster, que ontem andou por aqui. Até agora é um paradigma, o único pelo menos, da reestatização. Virão outros? Não seria bom para atrair o capital estrangeiro, hoje indispensável na área dos Brics.
Banco genético
Estuprador de Colombo foi identificado pelo banco genético a serviço da investigação criminal, mas, como sempre, está foragido. Supostamente num acampamento sem terra do interior.
Folclore
Piadistas de Paranaguá já dizem que o Oceânico em construção com seu aquário marinho na Praça de Eventos vai demorar tanto quanto o primeiro arrancha-céu da cidade, do Silvio Drumond, que levou décadas para ficar pronto e levar sombra, como diziam os debochados, às palafitas de Antonina. Paranaguá e a Capela disputam quem fez primeiro o barreado (aí Morretes também entra) e quem é melhor para dar apelido. Acho que empatam até em coisas sem graça. Só falta o porto de Antonina se mostrar mais eficiente que o de Paranaguá.
Cães
Pelo jeito já cadastraram os cães vadios da capital: seriam seis mil e agora teremos as castrações, se é que alguma ONG não latirá bravamente contra.
Quem perde
A direção provisória da Universidade Estadual era em Jacarezinho e passou agora para Paranavaí. Jacarezinho tem um dos melhores cursos de Direito do Paraná, mas no lado negativo o maior índice de usuários de drogas na região.





