Miséria induzida
Havia na concepção do Bolsa Família em sua origem um esforço no sentido da escolaridade, recebiam-na aquelas que comprovavam a presença dos filhos na sala de aula. Era um indutor da educação e de nela, a escola pública, o melhor invento da democracia conforme Dewey, o trampolim para a ascensão social. Tal conceito com o tempo mudou e conforme o levantamento mais recente do Índice de Desenvolvimento da Família, o vínculo dessa assistência se distanciou desses objetivos, tanto o do trabalho como o da educação: apenas 20% dos pobres têm os direitos ao trabalho assegurados e 71% violados e 38% se ligam na educação e 62% não garantidos. Assim se constatou que a renda dos pobres obviamente melhorou, mas o resultado obtido na direção das transformações mudou pouco, o que retrai a busca da igualdade de oportunidades num país já viciado na guerra ao mérito, ao esforço pessoal com a opção pelas prebendas que vão das cotas ao conformismo das bolsas, escravizadoras, como se viu no ataque desesperado às agências da Caixa, que todavia dão voto.
Estamos, portanto, com toda essa história de mudanças nos extratos sociais enxugando gelo e encaixotando fumaça no mínimo da transformação operada, apesar do discurso grandiloquente. Reproduzimos, em escala menor, a miséria, essa que é a verdade. Felizmente outros indicadores nos favorecem como o da redução da taxa de natalidade que em parte explica o fato de que com Pib quase nulo mantermos o nível de emprego, embora a desagregadora inflação.

Paralelismo
Em dois dias tivemos importante paralelo entre secretários de Fazenda, o do Estado e a da capital, para mostrar como é possível ainda, apesar do rombo orçamentário deixado por Luciano Ducci em Curitiba, termos uma distância apreciável entre modelos de gestão. Enquanto Hauly insistia no cantochão da União como causa dos nossos desajustes, a economista Eleonora Fruet deixava claro que a programação em andamento para acertar as dívidas caminha para o equilíbrio. Por sinal que é incomparável o modelo municipal com o estadual na linha operacional de eficiência e isso vem de muitos anos e convém mantê-lo. Os orçamentos de R$ 5,6 bilhões de um e de R$ 35 bi de outro revelam que há recordes de equilíbrio e de abuso. Beto Richa como prefeito o manteve, mas como governador agravou.

Trabalho
Estudo do IBGE mostra que há 40 mil crianças de 10 a 13 anos no mercado de trabalho do Paraná. Mais uma nódoa social para corrigir. Aliás há quem defenda o trabalho da criança, o que é melhor do que o engajamento na droga, causa do Vietnã semanal das nossas cidades de médio e grande porte.

Memória
Dias passados houve a devolução simbólica do mandato de senador de Luis Carlos Prestes. No episódio da cassação dele e dos seus companheiros do PCB nos pródromos da guerra fria ninguém brilhou tanto como o liberal Bento Munhoz da Rocha na defesa da manutenção dos mandatos. Vários desses discursos aparecem no volume Perfis Parlamentares 32 da Câmara Federal organizado por Norton Macedo e Luis Roberto Soares, prefaciadores da obra.

Folclore
A cidade, sensibilizada pelo assassinato do cobrador de ônibus, e Paulo Rink, vereador, propõe que motoristas e cobradores sejam submetidos ao bafômetro. Um gol contra do artilheiro do Atlético e da seleção alemã. É como transformar em balada um guardamento.

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