LUIZ GERALDO MAZZA
Um ato político
Em termos pedagógicos parcelar o reajuste do funcionalismo sinalizaria a fase difícil que atravessamos para todos os agentes (do administrador ao barnabé, do governista ao oposicionista). Seria um gesto atípico, sério, austero e por isso mesmo desprezível aos políticos por não render um voto e tirar muitos. Daí porque se deve considerar a decisão de pagá-lo numa só parcela uma vacina contra a grita do aumento de 13% que quebraria a espinha dorsal do sistema e da rejeição às prestações que aliás pouco influenciariam em melhorar a quadra sinistra das nossas finanças. Enfim ato político suficientemente forte e bem craneado para represar as manifestações e contê-las.
De um governo sem feitos e de muitos defeitos se deve esperar, cada vez mais, ações políticas e de sentido eleitoral. O barco está fazendo água e urge, de uma vez, calafetá-lo, não esquecendo, porém, de culpar a União por todas as adversidades, o que é sabidamente meia-verdade.
Sedex, sed lex?
De Medianeira para Chapecó foi apreendido um Sedex com dois quilos de maconha e agora o Denarc tenta descobrir emissário e receptor. No fundo, por um lado invertido, um ''merchandising'' da eficiência dos Correios, badalada na tv.
Retórica
Não nos libertamos de um complexo - o da autarquia, o de falarmos pra dentro e isso ficou nítido ontem com o relatório do secretário Luiz Carlos Hauly com a tese de que a União nos oprime. No passado dava para suportar essa arenga quando o Paraná reclamava de não receber a contraprestação devida da União, o que tinha fundo de verdade (especialmente nas divisas líquidas), mas não nos encontrávamos nesse marasmo, tocando rodovias que integravam o Paraná, usinas hidrelétricas, linhas de telecomunicação, havia enfim vibração, obras. Temos hoje um monstro autofágico, o Estado flácido, que devora o tributo que arranca da produção e nada ou muito pouco devolve em troca.
E tínhamos também ministros que embora paranaenses não forçavam a barra em nosso favor. Tanto que tivemos vários na Educação (três) e na Saúde (três) e o Hospital de Clínicas é o único que não tem o seu pessoal pago pela União e não conseguimos federalizar uma só universidade. Haja monotonia.
IDF, radiografia
O Índice de Desenvolvimento da Família mostrou que a renda dos pobres cresce, mas persiste o bloqueio ao trabalho e a educação. Apenas 29% dos pobres têm os direitos ligados ao trabalho garantidos e 71% violados; da mesma forma só 38% se ligam na educação e 62% bloqueados. O arrastão nas agências da Caixa, de certa forma provocados pela própria instituição, é um documento disso tudo.
Folclore
O brasileiro é olhado como um coitado em nossa cultura. E coitado é também aquele que sofreu o coito sem desejá-lo.
Fiscalização
Ontem fiscalização pelo Ministério Público do Trabalho e Polícia Rodoviária Federal em cima dos caminhoneiros nas rodovias para apurar o cumprimento da legislação pertinente.
Recurso
Antes do feriado, amanhã, chega no CNJ o recurso da OAB-PR contra o ato do presidente do Tribunal de Justiça relativo aos depósitos judiciais.
TáxisÀ noite, justamente agora com a Lei Seca, só metade da frota de táxis opera.





