Modismos de ocasião
Alguém que observa atentamente o discurso político anotou que a palavra mais usada pelo governador Beto Richa e o presidente do Legislativo, Valdir Rossoni, é austeridade, algo que ambos estão longe de praticar, apesar da propalada economia que todo mês o parlamento devolve ao Palácio Iguaçu.
A conjuntura paranaense é tão grave que falar em austeridade quando o Estado está amarrado e impede inclusive, por suas inadimplências, que a Copel possa receber um empréstimo de R$ 800 milhões junto ao BNDES.
Ontem mais um teste à austeridade: o Ministério Público mandou arquivar o célebre caso das tvs laranjas denunciado justamente por Rossoni na condição de líder oposicionista. Sabe-se que caberia ao Procurador Geral da Justiça de então fazer a denúncia e a manteve engavetada, não podendo os promotores e procuradores que deram andamento à ação qualquer medida se não a do seu arquivamento. Se o discurso da austeridade fosse autêntico ele não se limitaria à caça dos fantasmas e dos ex-diretores da Casa, o que é meritório mas insuficiente, e abrangeria agora, no mínimo a uma reflexão, para ver se o Ministério Público agiu corretamente ou se na origem foi omisso.

Pra valer
Auditores indicados pelas universidades (Federal, Católica, Positivo) vão se ocupar da auditoria na Urbs, a pedido de seu presidente Roberto Gregório. A sequência de governos, que não perdiam eleições, manteve a empresa blindada ao máximo e a despeito das denúncias de oposição nada se fazia. Na verdade a urbe era refém da Urbs como a cidade o é do Instituto Curitiba Informática, ICI, em dois pontos fundamentais a engenharia de sistema (o domínio amplo sobre dados estatísticos) do segundo e todos os segredos do transporte no primeiro.
Ningúem deseja iconoclostia, destruição da imagem dos antecessores, mas tão somente o clareamento de algo que estoura no bolso dos cidadãos em benefício de algumas empresas de um oligopólio.
Luciano Ducci, ao ver a denúncia das acrobacias da Consilux na Urbs, anunciou a ruptura contratual (que não poderia fazer sem inquérito e sindicância) por força da declaração de um dirigente de que abonava multas de clientes à Globo no Fantástico. Mero jogo de cena, pois tudo prosseguiu como antes.

Outras questões
A Urbs é uma sociedade anônima, na verdade anômala: até a sua conceituação no Direito Público é complicada. Mantém milhares de contratos em áreas claramente deficitárias como a malograda Rua 24 horas. Seu capital é partilhado por algumas pessoas físicas, vereadores e empresários, com mínimo de participação, e a vaca leiteira do município paga o resto. É algo, no mínimo, questionável.

Folclore
Quando nem a queda da temperatura põe Curitiba em destaque um vereador da praça, Rogério Campos, propõe um ônibus róseo para as mulheres. E o terceiro sexo não tem vez?

Perdidos
Felizmente foram encontrados os rapazes que seguiam o Caminho do Itupava na Serra do Mar. Esses deslocamentos deveriam ser comunicados de forma clara para que não se transformem numa espécie de trote telefônico. A área é parte de um parque e deveria ser de monitoramento obrigatório.

Trem urbano
A tese de que as linhas férreas da Grande Curitiba podem servir ao transporte massivo volta a ser agitada na área técnica. No Instituto de Engenharia alguns veteranos sustentam um banco de ideias, no qual está esse metropolitano.

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