LUIZ GERALDO MAZZA
Arrependimento eficaz
Quem tentou dar uma de machão na estória do subsídio ao transporte foi Beto Richa com o que manteve o prefeito Gustavo Fruet, acuado, e em clinch. Talvez tenha sido um desses gênios marqueteiros o autor da façanha que nos primeiros momentos deu a ideia de que o governador se mantinha na ofensiva.
Era visível, como várias vezes alertei, que não haveria outra alternativa que não fosse o recuo. Das minhas analogias coloquei uma: insistir na negativa iria equivaler a bomba contra os professores de Alvaro Dias, estigma que jamais o abandonou, embora integrante da categoria e um dos autores de projeto de aposentadoria especial aos mestres. Não há exagero porque atingir um grupo funcional superior a 60 mil pessoas, mais milhares de simpatizantes, é quase nada em algo que diariamente estouraria na vida de mais de 2 milhões de usuários.
Quando Beto Richa percebeu que a isenção do ICMS para o óleo diesel, embora relevante, revelava-se insuficiente e a antecipação de Fruet se dispondo a manter por um mês o subsídio o colocava em desvantagem passou a defender, de novo, a concessão. Em Direito Penal o arrependimento eficaz é aquele que se dá quando o agente, em meio a preparação do ato delituoso, recua. Na religião a ordem moral não é restaurada com o recuo e há necessidade de mais penitência.
Como o ritual foi burramente construído tenta-se agora evidenciar e de forma bem massiva que o autor da manutenção do sistema é mais ele, Beto, do que o prefeito, Fruet. Tanto que ontem a velha tática, desmoralizada pelo TRE, e adotada por Luciano Ducci, foi colocada em prática: o governador, coloquial, pelo telefone comunicando que a obra é dele. Aí já é pena moral como a dos religiosos que o confessor estabeleceria a dosimetria: trinta Padre Nosso, trinta Ave Maria e vinte Salve Rainha e abluções em água benta.
Sumiço
Uma figura dos altos escalões da capital convenceu o pároco da Igreja de São Francisco, uma das preciosidades arqueológicas de Paranaguá, a ceder-lhe o altar para a necessária restauração. O altar subiu a serra, mas não desceu, isso é não retornou.
Ciumeira
O Ratinho Júnior não foi desleal com o governador na história do subsídio: ao contrário quis promovê-lo e ajudá-lo ao anunciar numa gravação, na Band, que o Estado repassaria a grana para a Urbs-Comec. Ocorre que esse programa iria ao ar no domingo, isso é hoje. Marta Feldens, editora do ''Metro'', ouviu de sua sala, ao lado do estúdio, e como boa jornalista cumpriu o seu papel: deu a manchete no dia seguinte, anteontem. Aí imperou a ciumeira, sugerindo que o Rato queria comer o queijo de Sua Excelência sem o risco da ratoeira.
Há mais Chalaça na República do que no Império.
Exagero
Uma jornalista da RPC foi perguntar ao presidente do Instituto Histórico, Ernani Straube, sobre tortura na Revolução Federalista: ora naquela única e densa guerra civil que tivemos matava-se a três por dois, esgorjando, cortando a cabeça dos inimigos como especialistas entre picapaus e maragatos.
Folclore
A Caixa Econômica Federal anunciou a sua condição de patrocinador master do Coritiba: é o caso de fazer a paródia ''vem pro Coxa você também, vem!''.





