Previsão e provisão
Uma das racionalidades anteriores da política fazendária era a provisão em duodécimos, praticamente mês a mês quando possível, para evitar a correria dos mais recentes exercícios de recorrer a acrobacias na expectativa de honrar as três folhas de pagamento do funcionalismo estadual de novembro, 13º e dezembro, hoje num total superior a R$ 3 bilhões. Todas as repartições que têm as chamadas rendas industriais como Detran e Junta Comercial tinham os seus caixas esvaziados isso sem falar das transferências da administração indireta, isso é das supostamente ricas estatais. Aliás uma das maquiagens de rotina é o governo, como cliente, não pagar suas contas de água e energia.
Se a administração não pode atender o gatilho da data-base do funcionalismo, pensando na hipótese de parcelá-lo, quando se trata somente do percentual da inflação acumulada no período, dá para imaginar o que está por vir. Uma das alternativas é a de batalhar estruturalmente o ajuste das normas com a STN, Secretaria do Tesouro Nacional, o que poderia render alguma folga caso o acerto interno com o Tribunal de Contas do Estado fosse ratificado; outra a do saque, a título de empréstimo, já em trâmite desde janeiro, dos depósitos judiciais em negociação com o Poder Judiciário e a derradeira, a de conferir uma eficiência de primeiro mundo à arrecadação e à fiscalização, essa com o ônus, porém, de gerar negativismo à campanha da reeleição, menos ruim, no entanto, do que o não pagamento ou atraso das referidas três folhas de fim de ano. Com um detalhe adicional: quem criou o 13º e a paridade entre pessoal da ativa e aposentados foi José Richa, o pai do atual governador.

Reforma
No Brasil fica visível a impossibilidade da Reforma Fiscal com o andamento da mudança pretendida no ICMS, na verdade o federalismo inviável reproduzindo o regime de cotas em favor do norte-nordeste e extremo-oeste como já existe na questão delicada e sempre adiada das transferências da União e nítida ainda no canibalismo dos royalties do petróleo. Para essas questões exige-se algo que não temos: estadistas, capazes de no jogo do consenso e dissenso entre as partes haver inspiração e autoridade para uma saída negociada.

LDO
Uma das mágicas que se pretende fazer no setor financeiro estadual é retirar o Fundo de Participação da Lei de Meios, o que reduzirá seriamente o orçamento de todos os poderes, mas baixando os dispêndios com educação permitirá o ajuste ao gasto obrigatório com educação de 25%. Mais prova do sufoco quando da discussão em breve da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Célula
''Tudo Aqui'' tem todo o jeito de célula eleitoral na arregimentação que se faz para o ano que vem. Daí a necessidade de ir fundo nos seus objetivos. O pior é que se trata de uma clonagem ampliada do Rua da Cidadania de Greca.

Folclore
Pegaram ontem um cara que vendia atestados de saúde falsos do Hospital de Clínicas em sua casa. Como HC é a sigla do hospital é também de habeas corpus.

Marcelo
Está aí um desafio para Marcelo Almeida, o coordenador da bancada federal do Paraná. Não é político viciado, tem vontade notória de acertar, não pode ser classificável como baixo clero. Espera-se que agora a coisa vá: energia lhe sobra. Necessário que também o governo se ligue nas bancadas.

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