Normalidade atípica
É normal, mas aqui atípica e até insólita, a mecânica institucional como a de um juiz receber denúncia contra a Mesa Executiva da Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas brecar o andamento do ''Tudo Aqui'' e uma licitação cheia de erros da Sanepar. Deveria ser a rotina e, se fosse, nossa visão de democracia melhoraria sensivelmente, todavia trata-se de exceção e não a regra, daí a certeza de que breve, e talvez bem mais rápido do que imaginamos, teremos a continuidade das anomalias sem tratamento, toleradas e impunes.
Episódios irregulares do Legislativo, que tanto escandalizaram a sociedade, tiveram o andamento comum da Justiça, demorados e marcados por incidentes, porém deram margem a uma denúncia consistente do Ministério Público, daí o acatamento em liminar pela Justiça enquadrando o ex-presidente Nelson Justus e o ex-secretário Alexandre Curi mais o diretor geral, Abib Miguel, o Bibinho, e os seus colegas José Ari Nassiff e Claudio Marques e o bloqueio de R$ 164 milhões dos acusados. Não basta, mas a demarcação da legalidade afrontada não deixa de constituir-se em relevante avanço.
Oxalá o que é incomum se torne normal e que fique bem claro que o costume, o praxístico e o consuetudinário não configuram o direito adquirido como se deu nesse e em tantos outros casos de insolência e soberba dos agressores.

Imobilismo
Mais uma Unidade Paraná Seguro, decalque da operação carioca de maior escala, foi implantada em Colombo na Grande Curitiba. O temor é de que essa iniciativa como no caso dos módulos acabe imobilizando a ação policial como de resto há sinais de que isso vem ocorrendo, inclusive com sinais claros de baixos ganhos estatísticos da violência, como se dá na Cidade Industrial.

Desmanches
Agora descoberto um desmanche de automóveis na Serra do Mar. Não espanta. Em passado não muito distante a polícia chegou a regulamentá-los conferindo-lhes um certificado expedido pela autoridade maior. Um dos ''empresários'' da área com ligações com o ex-deputado Aníbal Khury, o Caboclinho, Joarez França, tinha presença forte entre parlamentares e policiais e figurava em solenidades com gente dos três poderes na maior naturalidade.

Folclore
Um dos macetes do início do século 20 era a poesia ser colocada a serviço da publicidade: mais do que ''merchandising'' era propaganda direta como aquela que figurava nos bondes ''Veja ilustre passageiro// o belo tipo faceiro// que viaja ao seu lado// no entanto, acredite// quase morreu de bronquite// salvou-o o Rhum Creosotado!'' Esse, de tão reproduzido, caiu no domínio popular e cuja autoria é atribuída a Bastos Tigre ou Luis Murat. Vejamos os tercetos finais de Emílio de Menezes em propaganda do xarope Bromil: ''Pode afirmar, por toda a eternidade,// Aos mil que sofrem e aos descrentes mil,// Que isso que ai vai é a essência da verdade!// De horrível tosse que me pôs febril,// Dei cabo, usando apenas a metade// De um milagroso frasco de Bromil.//

Vetos
O desempenho de Cassio Taniguchi na audiência sobre o ''Tudo Aqui'' reforça no governo a tese de que todo pedido de oposição deve ser dificultado. Caixas pretas lembram a Bolsa de Pandora que aberta libera os males do mundo.

Destrava língua
Beto Richa vai viajar de novo, agora para a França. Até nisso lembra Requião, cujo último Triunfo foi a visita ao Arco.

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