LUIZ GERALDO MAZZA
Mal das pernas
Que o governo estadual está mal das pernas nem se discute. Não bastassem as diligências da Secretaria do Tesouro Nacional há evidências, cada vez mais flagrantes, das perdas de controle financeiro como a pretensão do Executivo em parcelar o compromisso legal do aumento do funcionalismo estadual. A luta é em vários fronts: nos órgãos federais para abrandar o quadro tenso, mesmo que se limite à função de uma aspirina para um estado febril, redução de sintoma.
O espaço interno é pequeno para um exercício de controle impossível em tantas secretarias e em época eleitoral. Mas desde janeiro o Executivo, que tem atendido com extrema presteza as demandas do Judiciário (criação de cargos em comissão, compra do edifício que o TJ ocupa na Mauá, liberação de recursos), tenta uma operação para utilizar parte dos depósitos judiciais na emergência da crise financeira, seguindo um modelo adotado com sucesso no Rio Grande do Sul por Tarso Genro. Possíveis restrições de ordem legal foram removidas, embora os gaúchos detenham um banco estadual o qual acumula justamente os depósitos judiciais, o que facilitaria o entendimento.
Como o governador postula a reeleição, essa escassez é dramática e só se tornaria bem visível com a hipótese nada remota de lá pelo fim do ano termos a reprise do havido o ano passado quando o pagamento das três folhas de novembro e dezembro, mais a do décimo terceiro do funcionalismo esteve ameaçada. É que as três no ano passado somavam três bilhões e agora seriam ainda bem maior.
Pichações
Agora a Polícia Militar e a civil vão cooperar na guerra às pichações. Para fazer as acrobacias que fazem como escalar prédios de trinta andares não se pode chamá-los de rebeldes sem causa: contra a ordem pela anarquia, seja lá o que for, seus integrantes aumentaram a ousadia depois que o comércio lançou a campanha pelas denúncias. No meio das garatujas do seu código, lá estava na Avenida Paraná uma convocação para imitar as Farcs, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Se fizessem isso no regime militar estariam fritos dada a paranoia dominante.
Carandiru
Apesar dos vários julgamentos, o do massacre do Carandiru, cuja demora tem o tamanho de uma sentença pesada, está até hoje incompleto. O crime do deputado Ribas Carli assinala hoje quatro anos e graças à habilidade do criminalista Renê Dotti até agora não saiu o juri.
Tacada
O governo pretende desatar os nós das PCHs e liberá-las de uma vez. Mas uma das suas não deu certo: o Tribunal de Contas suspendeu licitação da Sanepar para sistema de segurança por estar com preço abaixo das normas.
Folclore
Mais zombarias de Emílio de Menezes sobre seus contemporâneos: ''Magro, triste, macerado,// Frio, flácido, funéreo,// Parece um feto barbado,// Nascido num cemitério!''
'Tudo Aqui'
Sessão pública hoje no plenarinho da Assembleia discutirá, ponto por ponto, inclusive planilhas de custo, dos serviços prestados que, segundo Tadeu Veneri, estão superfaturados.
Retorno
Gestão do MON (Museu Oscar Niemeyer) volta à discussão: governo quer de novo atribuí-la, como pretendeu Lerner, a uma OS, Organização Social. Viva o Estado contemplativo e terceirizador.





