Política é na safra
Infelizmente no Brasil, apesar de todos os partidos, dos macro aos micro, terem suas unidades de doutrinação, só existem na campanha eleitoral como se viu na recente convenção do PSDB regional, longe daqueles aparatos festivos
e carnavalescos em cima da disputa. Uma das características comuns é, de um modo geral, a falta de opções: o monolitismo dos grupos dominantes impede a desejável diversidade. A conquista de Alvaro Dias para o esquema sucessório meio na marra, já que se mantinha há longo tempo isolado e marginalizado é bem amostra da situação. Houve a percepção por parte de Beto Richa que um estado que carece de representatividade não poderia abrir mão de uma de suas maiores lideranças nacionais, pelo menos no que diz respeito à visibilidade.
Partidos sazonais, isso é prontos para a convocação eleitoral, aprofundam a fragmentação da opinião pública no festim das legendas e impedem a emulação indispensável ao confronto do ‘’sim’’ e do ‘’não’’. Nem os lances nacionais, das grandes alianças como as do passado entre PSD e PTB, ambos criações de Getúlio Vargas, o primeiro para atender demandas do Brasil rural que detinha 80% da população e o segundo para representar o proletariado urbano gerado pelo capitalismo tardio, hoje operam como toque de reunir.

Casuísmo tradicional
Obviamente a proliferação extremada de legendas não favorece a politização, ainda mais quando permeada por frentes religiosas e de ruralistas. Basta lembrar que na eleição de 1950, momento de arrancada para a consolidação da democracia depois da barbárie cometida com a interdição do Partido Comunista e a cassação do seus mandatos parlamentares, havia um PAN, Partido Agrário Nacional, com o candidato Rolim Telles. Todavia a briga para valer era entre a UDN do Brigadeiro Eduardo Gomes, mito nacional, e Getúlio Vargas do PTB já que Cristiano Machado do PSD acabou, redundantemente, ‘’cristianizado’’ para garantir o pleito plebiscitário.
Nada justifica, porém, o desespero da aliança dominante em deter as ações de Marina Silva e Eduardo Campos visando a formação de coligações novas e tentando, com esse pragmatismo, justificar uma indesejável intervenção na livre formação de partidos e frentes sem os quais é impossível imaginar o exercício político. Partidos ocasionais, que podem até ganhar eleições, surgem do dia para a noite como o PRN, Partido da Renovação Nacional, que elegeu
Fernando Collor de Mello numa campanha que lembrou em tudo um momento de reorganização do país na qual concorreram Lula, Brizola, Afif Domingos, Mario Covas, Maluf, Roberto Freire, Enéas.

Antecipação comum
Em que pese alguns chios formalistas não há como falar em antecipação de campanha porque para quem está no poder ou na oposição ela é permanente. O erro é que a oposição, cautelosa demais por causa do Ibope presidencial, teme as jogadas radicais como poderia fazer no enquadramento de Lula em função dos transbordamentos do mensalão. Foi o temor-pânico das pesquisas que levou o PSDB e aliados aos cuidados, dos quais agora se arrepende. Tal se dá também com as críticas à presidente Dilma, aureolada com números altíssimos em intenções de votos e isso afrouxa a oposição. Se há algo criticável no Brasil é a atual política econômica até aqui maquiada pelo nível de emprego, mas minada em suas bases pelos riscos da recessão. Críticas são superficiais e isso se não dá estabilidade ao país garante a dos seus dirigentes.

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