Balança, mas não cai
Em certos aspectos a vida institucional paranaense lembra o período heróico da colonização nortemericana: conflitos entre índios e desbravadores exigiam, para solução, a intervenção da cavalaria federal. No Paraná é mais ou menos assim: estoura uma denúncia de desvios no Porto, a operação Dallas, da PF é que a apura; no histórico da operação ''Gafanhoto'' em cima do Legislativo estadual há novamente a presença da gendarmeria da União e cujas sequelas vão aparecer, mais tarde, na história dos diários secretos e na novela, ainda inconclusa, da roubalheira com o uso de indicadores fiscais de pessoas humildes para a drenagem de dinheiro.
Agora tivemos de novo - e dá-se pela terceira vez - inspeção do CNJ, Conselho Nacional de Justiça, no mais intangível dos poderes, o Judiciário e que o aponta como um dos menos eficientes do país, isso sem falar nas patologias de praxe na corporação como a prática aberta do nepotismo e agora referências até à venda de sentenças, sabidamente de difícil apuração e resolução e isso na própria trajetória do CNJ em outros tribunais em que tem atuado.
Magistrados não apreciam o ''controle externo'', como sempre evidenciaram as várias associações regionais e nacional, como de resto professores não gostam de avaliações externas do seu desempenho, seja o ranking da Play Boy, seja qualquer dos vários instrumentos existentes do ensino primário ao superior.
Parece que ao menos uma das recomendações do CNJ o Presidente e seu colega o Corregedor do TJ assumiram: a de não aumentar em 25 o número de desembargadores, o que se tornaria conflitante com a evidência do rendimento baixo apontado e das necessidades mais prementes da primeira instância.
Uma sociedade habituada a metabolizar, com engenho e arte, os seus conflitos carece de intervenções externas para enxergar-se, tantos são os liames que a acorrentam. Por isso aqui o óbvio choca e de tão atípico soa como se fosse o Juízo Final, pois os poderes, sejam quais forem, balançam, mas não caem. Nossos governadores, deputados, prefeitos, vereadores, pelo menos em Curitiba, contarão sempre com a blindagem do clã cartorial. Há exceções - o Custódio e agora Derosso - que apenas confirmam a regra.
De todos os paradigmas da tese da externalidade a renúncia de Haroldo Leon Peres no governo, em regime ditatorial, é a mais clássica, embora naquele tempo os raios de Zeus só pudessem vir de Brasília.

A ilha
Nessa quadra o segundo polo urbano do Paraná, Londrina, soa como ''ilha'', mas na verdade isso dá, quase de maneira generalizada, com o interior como vemos na forma como prefeitos e vereadores são afastados e presos como se tratasse de algo sazonal como a queda dos frutos maduros. É que essas comunidades são menos cartoriais, pois às vezes mal conseguem escolher os seus próprios cartorários, algo bem mais difícil, em certas circunstâncias, do que bater o Coritiba ou o Atlético nas disputas de futebol.
É indispensável esse ''lubrax'' não apenas no Ministério Público, mas também nos meios de comumicação, ONGS, igrejas, maçonaria, OAB. A intervenção no telejornalismo da RPC, quando da derrubada de Belinati, foi indispensável para que se rompesse uma das amarras que dava sólida cobertura ao então prefeito e isso em nível nacional. O movimento ''Pé vermelho, mãos limpas'' foi decisivo e é uma esperança permanente de que possa ser reativado até na Capital.

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