Sangrando em saúde
Às vezes as circunstâncias obrigam à reflexão: já imaginaram essa turma que está no poder com aquelas prerrogativas que detinham os militares? Certamente fariam mais do que o ''diabo'' referido pela presidente Dilma Rousseff. Deu para vê-lo no caso singelo da votação do requerimento do deputado Tadeu Veneri pedindo a convocação de Cassio Taniguchi para explicar o negócio do ''Tudo aqui'', mais uma tolerância oficial com relação a terceirizações e privatizações. A votação - 24 a 17 pela negativa - desequilibrou o situacionismo e tanto que o líder Ademar Traiano pediu, oficialmente, a verificação dos votos no painel eletrônico.
Gerado o desconforto, embora a compreensão dos votos favoráveis a que tudo se esclareça e não se gere nova ''caixa preta'', o distúrbio neurovegetativo foi de tal ordem que os que se negam a aceitar a transparência agora ameaçam os autores desse susto e dessa indiscrição, embora a vitória confortável.
Esses dezessete votos indicam que a argumentação do líder do PT convenceu e quase na mesma intensidade daquela sua luta pela emenda constitucional sobre o nepotismo na gestão Requião. Os que pediam transparência, ora olhados no viés governista como inimigos, aprenderam que no governo estadual não são poucos os que desejam que as coisas funcionem no estilo Mario Celso Petraglia para o Atlético Paranaense, uma cortina de ferro, estreita demais para as dimensões da província e nem como alegoria aceitável pela democracia.

Mais que digitais
O governo paranaense deixou mais do que as digitais do comprometimento no caso do ''Tudo Aqui'', um caso, para dizer o mínimo, cabeludo. E quem o comprova é o próprio Diário Oficial: no dia 12 de julho de 2011 pelo decreto 1996, dava 30 dias de prazo para que empresas se habilitassem à disputa do ''Tudo Aqui'' e um dia depois, pelo decreto 1998, dava ganho de causa à empresa Shopping do Cidadão para a exploração.
Alguns dos serviços são prestados pela prefeitura (Ruas da Cidadania), pela Associação Comercial como o relativo ao crédito e aos cartórios de um modo geral e nenhum desses setores teve qualquer consulta a respeito. Aí se explica por que não se deseja qualquer esclarecimento e se aposta no sigilo porque há um certo tipo de poder como o Drácula que não suporta a luz do dia.

Destrava
Luiz Carlos Hauly não tem o histrionismo do Roberto Jefferson mas tentou imitá-lo, para mostrar bons serviços ao governo, pedindo ao ministro Paulo Bernardo que destrave as coisas do Paraná como o outro pedia que Zé Dirceu saísse da toca. Ora quem deveria fazê-lo é justamente o secretário da Fazenda, afinal o comando financeiro é dele e parece que a última esperança é Reinhold Stephanes para se acertar com a STN, Secretaria do Tesouro Nacional, e o Cadastro de Convênios da União, que seguram a grana do Paraná por infração de regras pré-estabelecidas.

Pesquisa
Nunca se fez pesquisa de origem-destino no transporte de Curitiba e assim mesmo o sistema funcionou. Explicação: os dados estão na Urbs e órgãos beneficiários ao longo do tempo como Dataprom e ICI e que são impenetráveis como o ''Tudo Aqui'', todos da mesma inspiração, daí a blindagem de Cassio Taniguchi feita no Legislativo, o prescrito e não proscrito.

Folclore
Lula acha que doação privada é crime inafiançável, mas mensalão pode?

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