LUIZ GERALDO MAZZA
Prova de baixo nível
Maior prova do baixo nível de nossa política foi anteontem a troca de ataques verbais entre o governador Beto Richa e o ministro Paulo Bernardo com suspeita, o que é pior, de uma troca de potocas a respeito das transferências da União para o Estado. Ao corrigir declaração de Richa segundo a qual éramos o 25º das províncias em atendimento frizou que o Paraná teria recebido muito mais do que catarinenses e gaúchos.
Embora o ''aquecimento'' da troca de ''gentilezas'' com Bernardo dizendo que Richa precisa sair da poltrona e atuar administrativamente e esse replicando que os três ministros da terra é que precisam se mexer foi um empate no mais radical dos sentidos, filológico e semântico. Lembro de reportagem do Globo Rural em que seringueiros, na Amazônia, atravessam o rio Madeira para declarar o ''empate'' na preparação de uma área para pecuária. Segue-se um ritual, com todo o requinte da dramatização popular com o peão dizendo que é apenas um empregado e nada tem contra o trabalho alheio e o seringueiro, certamente um aliado de Chico Mendes e de Marina Silva, alegando que o ambiente é sua razão de existir e sobreviver. Declarado o empate, as obras são suspensas. Das várias acepções dos dicionários Aurélio e Houaiss a que mais se aplica aí no entrevero entre políticos paranaenses é a seguinte: ''Obstrução do tubo gastrointestinal em consequência da não digestão de alimentos acumulados''. Empate dolorido. Ou, traduzindo, dor de barriga.
Escala e patologia
É evidente que no momento, em termos de saúde pública, o tema dominante é o da epidemia de dengue com 46 cidades do noroeste em destaque, com 15 mil casos confirmados e nove mortes. Mas uma patologia, de escala menor, a criptococose, fungo dos pombos, já registrou duas mortes e há seis pacientes em Londrina. Em Curitiba há casos também de taxistas, um deles com ponto na Praça Osório, que teve a base do pulmão contaminada e precisou ser operado.
Choradeira
O Paraná, historicamente prejudicado pela União e isso desde o auge da produção cafeeira, como o caso do confisco cambial que levou os bravos da família Godoi a realizar a ''marcha da produção'', obstruída pelo Exército, sempre foi ''chorão''. Só que antes especialmente de Munhoz da Rocha em diante até a sequência do neysmo, interrompida pelo PMDB, chiávamos, mas tínhamos projetos, propostas, em função da massa cinzenta dos quadros oficiais. Hoje tudo o que o governo faz é ''terceirizado'', cedido e altamente suspeito como o tal do ''Tudo aqui''. Chorávamos produzindo, choramos agora contemplando.
Sindicância
O CRM, Conselho Regional de Medicina, desenvolve sindicância para examinar o problema do Evangélico. A fase não é boa: a diretoria do hospital será agora enquadrada em inquérito do Ministério Público para apurar responsabilidades detectadas no relatório da comissão federal e do médico Mario Lobato. Outra: a Justiça do Trabalho obrigou-o a pagar salários atrasados. Água benta, urgente.
Folclore
A épica divergência entre o ministro e o governador poderia ser traduzida em vários idiomas. Quem sabe essa sofisticação elevasse o nível do papo. Em latim e aramaico faria sucesso.
Pega no pé
Conselho Regional de Arquitetura e Engenharia mais Sindicato dos Engenheiros não largarão o pé do governador no caso do pedágio. Provam que as empresas não cumpriram nem as mais singelas obrigações. Um pouquinho de democracia faz bem.





