Juízo, afinal
  Não é o Juízo Final para estados-membros, afinal isso entra na questão do pacto federativo tanto quanto a guerra fiscal, a decisão do Supremo Tribunal Federal relativa à inconstitucionalidade da Emenda 62 de 2009 que permitia o parcelamento das dívidas com precatórios e até o leilão dos créditos. Como o Judiciário já botou o parlamento em clinch na questão do Fundo de Participação dos Estados, fixando um novo prazo para acabar com as distorções no ‘‘racha’’ e há enormes resistências à regulação do tema.
  Se não é o Juízo Final, como pensam os prejudicados, também não se pode dizer que seja o ‘‘juízo, afinal’’ em meio a tanta irracionalidade porque políticos fazem acrobacias mentais, em emendas, para evitar o caos. As duas questões dizem respeito ao nosso distorcido federalismo: de um lado a fuga irresponsável aos débitos estatais, que nem a Carta de 1988 conseguiu regular, e de outro o recurso à guerra fiscal para atrair capitais, recurso que tanto beneficiou principalmente o Paraná na questão das montadoras e do qual mostra ter remorsos shakespeareanos, uma espécie de Macbeth de porre.
  Como o Paraná está numa fase de mineração de recursos para reequilibrar seu combalido caixa, busca as compensações aliás justíssimas na questão do ICMS que beneficia hoje os consumidores no caso da energia com o que perdemos bilhões. Falta, porém, uma liderança com autoridade, conhecimento, para exercer esse papel como não houve também quando os cardeais do PSDB do Paraná, encantados com o poder de sedução de José Serra, mostraram-se ‘‘entreguistas’’ em favor de São Paulo e uma de nossas lideranças aí era José Richa, nome fortíssimo como articulador do processo constituinte e que se perdeu nessa.

IDH, drama permanente
  O governo federal reagiu fortemente à notícia de que continua mal no ranking de IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU, figurando em 85º lugar. O governo reagiu alegando que os dados estatísticos estão defasados e que se referem a 2005. Pelas dimensões do país, embora os inegáveis avanços ocorridos, tais ganhos se diluem e evidenciam que o ponto de estrangulamento é o da educação, onde dá para perceber que a evasão no ensino fundamental ainda é muito elevada e pegamos uma liderança negativa na América Latina com 24,3%.
Também figuramos mal, com 90,3% em alfabetizados acima dos 15 anos quando ultrapassamos apenas o Peru e ficamos distantes dos 98,6% do Chile, 98,1% do Uruguai, 97,8% da Argentina. Muito mal situados também em média de anos de escolaridade em que aparecemos em último lugar com o Suriname com 7,2 anos e lá na frente distanciados aparecem Chile com 9,7 anos, Argentina 9,3, Bolívia 9,2, Peru 8,7 e Guiana e Uruguai com 8,5.
  O IDH se obtem pelo cruzamento de indicadores sociais (escolaridade, expectativa de vida) com os econômicos (PIB geral e PIB percapita). A evolução do Índice brasileiro não foi pequena: em 1990 era 0,590 e em 2012 0,730, considerado elevado apesar da classificação em 85º lugar.
  Para o governo que tanto destaca a mobilidade social havida, o crescimento das classes médias, não é fácil assimilar algo que contrasta com as ações de ufanismo interno. O fato, porém, de a própria presidente Dilma Rousseff pretender que todos os recursos dos royalties do petróleo sejam aplicados na educação é evidência de que há a consciência das precariedades enfrentadas.
  De outro lado a evidência de Pibs frágeis, incompatíveis com nossas dimensões continentais, estão aí para explicar que se temos razões para euforia há ainda muito a fazer justamente no plano tão destacado pelo governo, o social.

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