À espera de um feito
Não foi pequena a ansiedade brasileira em relação à escolha do Papa ante a possibilidade concreta de um dos seus cardeais ser o escolhido. Dá para imaginar a vibração argentina e seus efeitos psicossociais na vida do homem comum: autoestima generalizada, orgulho nacional, o que não neutraliza os problemas cruciais daquele povo, mais uma vez tomado pelo populismo que afinal tirou o país do primeiro mundo para a condição de subdesenvolvido. É nutriente cívico de primeira ordem tal qual se dá em qualquer país quando se faz o relato, por exemplo, das reservas de óleo e gás no pré-sal.
Em meio aos seus feitos verdadeiros, o regime militar explorava um calendário também de descobertas e algumas rigorosamente inventadas como a suposta cura da raiva humana, sabidamente no estágio de sempre: assim ao lado de ganhos na ciência, havia localização de reservas de minas que confirmavam nossa utopia de ufanismos. Das verdadeiras não dá para esquecer das multidões de mineradores atuando na Serra Pelada e dos feitos inclusive de infraestrutura como os visíveis na ferrovia mais moderna do país.
Até as façanhas do futebol e de sua seleção ganham relevância e a de 1970 consagrava o regime militar em sua fase mais violenta amaciada pela figura de um presidente, Medice, fã do Flamengo e do Grêmio Portoalegrense. Até a tv em cores, com sua primeira exibição numa festa da uva em 1972, mexeu com a memória do torcedor que a imagina ter existido na conquista do tri no México.
Nenhum dos grandes empreendimentos, como tivemos o de Itaipu, hoje compensa, seja nas hidrelétricas, transposição do São Francisco ou o trem-bala. Há espera de um sinal que não vem (aos poucos a conquista da Copa esmaece) e enquanto isso somos entretidos com o varejo do populismo voluntarista que contesta a suposta racionalidade gerencial à nossa disposição tentando domar a inflação com os placebos de sempre.

Matemágica
Uma diferença de dez centavos na tarifa do transporte coletivo de Curitiba representa uma perda de R$ 2,5 milhões-mês. Mesmo assim o prefeito Gustavo Fruet colocou-a quinze centavos abaixo da estimativa técnica ao fixá-la em R$ 2,85 e hesitar em adotar os R$ 2,90 recomendados. Visível que a caixa preta continua e os alquimistas é que a dominam como seres especiais.

Auditagem
Prossegue a auditagem geral das UTIs na Capital. Indispensável depois das denúncias do Evangélico: todas as rotinas sob inspeção.

Ministros
O que ganha o Paraná com seus três ministros? Nas vezes anteriores eles não eram tão fortemente partidários. Pergunta-se: tivemos ganhos ontem e hoje? Valeria a pena ocupar esses espaços ou há mais ônus do que bônus?

Folclore
Deputado Pedro Liberti criticando o prefeito de Rolândia: ''de dia é a poeira, à noite a latitude dos cães!''. É da antologia de Sebastião Neri.

Gripe
Vacinas antigripais só na clínica particular: há mil doses e isso um mês antes da campanha massiva para idosos e crianças.

Ladrão sazonal
Pintou um ladrão sazonal: o de chocolate na Capital. Seria um caso clássico de metalinguagem se assaltasse as pessoas com revólver também de cacau.

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