Faltam paradigmas
Diz-se que o caráter dominante da política paranaense é a falta de quadros. Essa anomalia não é só nossa, mas nacional. Na verdade não temos paradigmas, não dá para uma analogia do filho com o pai, José Richa, por exemplo: oriundo da equipe de Ney Braga e depois dela rompido na eleição de 1965 em que ficou com Munhoz da Rocha contra Paulo Pimentel. Só nessa relação de postulantes a evidência do deserto de agora. De juventude equivalente à de Beto Richa, aquele tempo, não cabe qualquer analogia entre ele e Paulo Pimentel, um fazedor que já surpreendera, antes de governar, como o restaurador da pecuária, uma espécie de Manoel Ribas mais moço, na história paranaense.
Gerir a prefeitura da Capital, que tem um modelo mil vezes superior ao do Estado, é incomparável com as funções estaduais mais complexas e abrangentes e sair-se bem nos parâmetros comuns é quase obrigação, tanto que à exceção de Luciano Ducci todos figuraram de Ivo Arzua para cá na condição de melhores do Brasil, conforme os vários rankings divulgados.
Dá para verificar essa pobreza com a Rede de Sustentabilidade da Marina Silva imaginando quais seriam seus quadros no Paraná, impossível qualquer analogia, por distante que seja, com a mística de um tipo de política que mais parece levitar do que pisar no chão com uma aura próxima da Tereza de Calcutá, algo quase sobrenatural.
E quando pinta uma liderança nova, como a de Gustavo Fruet, dá para perceber que o executivo é menos cabeça do que o parlamentar e cujas hesitações ao enfrentar a primeira crise, mais contundente, revelam não apenas a ausência notória de punch, de pegada, como ainda um temperamento pendular. Mesmo a ira inconsequente de um Requião, compensada por uma articulação verbal fogosa, passa a pesar em cenário tão pobre.

Pensar impossível
Inviável imaginar que há alguém pensando o Paraná no atual governo. É visível essa deficiência quando se nota a preponderância de jogadas de marketing como as duas tapeações recentes: a da duplicação da BR-376, mais uma Linha Verde interminável na carreira, com um cronograma remoto e a notícia da imunidade fiscal para o ICMS do óleo diesel, na tarifa do ônibus, mais barulho do que efeito, um espanta-coió que não tem a hierarquia de um busca-pé.

Decoreba
O depoimento da médica-chefe da UTI do Evangélico da Capital na encenação do ''Fantástico'' tem todo o jeito de fala editada, o que retira um pouco do seu inegável impacto como peça de defesa. Era indispensável como exigência do contraditório esse tipo de mediação, o que não impediu, ainda ontem, que o MP, Ministério Público, a enquadrasse com mais três colegas médicos e três enfermeiros na denúncia à Justiça. A tentativa de desviar o sentido das falas na intimidade da UTI para um caso mais de semântica e até de gíria do meio profissional, embora o tom de morbidez inafastável do diálogo, será uma das armas da defesa que se saiu muito bem no âmbito midiático.

Efetivo da PM
O coronel Bondaruk, ao discutir com vereadores os problemas de segurança da Capital, lembrou a obviedade de que o efetivo da Polícia Militar só perde, em deficiência, do registrado no Maranhão. Aí há um esforço razoável do governo para melhorar esse estado de coisas, uma luta contra o tempo.

Folclore
Em 1961 o prefeito (genaral da reserva) Iberê de Mattos montou uma base como a de Brizola por aqui pela posse de Jango: falou-se até em armar a população. Meses depois, a despeito dessa postura heróica, foi candidato a deputado estadual pelo PTB e ficou na oitava suplência: nem o ''martírio'' o ajudou.

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