LUIZ GERALDO MAZZA
Bate boca ornamental
Tivemos, primeiro, o bate-boca entre vereadores e deputados por causa da negativa de Beto Richa em conceder subsídio ao transporte coletivo de Curitiba. Rossoni, surfando nas ondas da falsa moralidade que adota no Legislativo, sugeriu que Paulo Salamuni reduzisse as mordomias da Câmara e com a economia subsidiasse o sistema. Queria mostrar-se mais escoteiro do que Salamuni, sabidamente um praticante desses rituais. Na meia verdade, às vezes pior do que a mentira inteira, cobravam-se aquilo que não podem praticar: transparência.
Ontem a Assomec, que reúne prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba (que vai ser rachada por uma outra adepta do governo estadual e relativa à área norte), entrou de sola no debate, expressando a preocupação dos moradores da Grande Curitiba por uma alta incompatível com a renda do povão.
Como dizia Drummond ''enquanto o poeta municipal discute com o poeta estadual o poeta federal tira ouro do nariz''. Quem se acredita nessa mineração é o governador Beto Richa e até se vale do pendularismo de Fruet e sua equipe.
Royalties
Todo mundo dando palpite sobre a queda do veto aos royalties da Petrobras. Um deles, o Jonel Chede, do inefável Pró-Paraná, falando até sobre a divisão do mar territorial, tese do ex-deputado Gustavo Fruet. Muita pressa tanto nas celebrações de um suposto ganho federalista como na veemência dos Estados produtores do sudeste e certeza de uma vitória no STF. Outra pressa é a badalação ufanista em torno do pré-sal do qual pouco se sabe se há qualquer viabilidade técnica e econômica, mais essa do que aquela, em captar o produto, desconhecidas sua qualidade e características, a sete mil metros de profundidade, enquanto os ianques nos superam na tecnologia de aproveitamento do xisto para quem vendemos a nossa há algum tempo, a petrosix.
Também aí há mais retórica do que fatos. Haja logomaquia, nossa arte.
Procon
Bronca do Procon agora é contra a GVT, a internet fora do ar.
Analogia
Ver Beto Richa dando partida à duplicação da rodovia do café submetida a um sistema de pedágio dá para comparar o Paraná que funcionava, o de 1961, quando se inaugurou a estrada, e o de agora de só mordomia e politicagem. Tanto que seria impensável naquela época ver entidades de engenharia botando em cheque modelos como se dá agora com as concessões que o governo não fiscaliza e com elas se promove, ainda por cima.
Vivos
Inútil como encher o tanque de gasolina antes do aumento, mas eram filas enormes ontem na Urbs pretendendo recarregar cartões para levar algum com a alta que virá, depois da greve sempre encenada.
Folclore
Polícia Federal encerrando processos contra Sanepar e os seus funcionários por lançamento de esgotos crus na bacia do Iguaçu. E os ecologistas que tudo enxergam não viram, ali no Centro Cívico, o esgoto cru boiando no Belém.
Queda
Ganho para o governo em segurança: taxa de homicídios em favereiro caiu nas cinco maiores cidades. Londrina 43%, Maringá 36%, Foz 33%, Cascavel 30% e Curitiba 20%. Nem sempre a Unidade Paraná Seguro garante o retorno.





