Locaute e nocaute

Pelo jeito do tênis de mesa chegamos à luta marcial no confronto entre Estado e Prefeitura de Curitiba na questão dos transportes coletivos e da manutenção do subsídio para manter a integração do sistema metropolitano. Já tivemos em passado distante locaute dos empresários nas gestões dos militares eleitos Ney Braga e Iberê de Mattos, nessa com o Estado passando ao Departamento de Estradas de Rodagem o comando do sistema e alijando a prefeitura. No primeiro caso Ney enfrentou a parada com caminhões do Exército, solução precária mas quase adequada para a escala da época; no segundo, Iberê conseguiu arrestar a frota escondida na Região Metropolitana com apoio judicial.
Há muito de encenação política, de dramatização induzida, na briga atual: Beto Richa, que tem demandas mal resolvidas com a União, de quem o Estado tem perdido quase R$ 500 milhões em repasses, vale-se de Fruet, como presumível aliado político do PT, para o exercício da retaliação. A Urbs replica e com uma ameaça terrível para o governador - a desintegração das linhas da Região Metropolitana. Fruet nega e promete apenas reavaliar o caso.
O governo estadual está no vermelho e por prodigalidade porque não consta que tenha obras, a não ser a compulsão política de fazer todos os acordos e que se sabe têm um custo apreciável. Notícia de austeridade, feita por Hauly, sob o fundamento de ultrapassagem do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, é conversa mole porque há muito isso acontece e a Secretaria do Tesouro Nacional, STN, não aceita acordos, por doutrina e técnica, como o feito com o Tribunal de Contas para mascarar a situação.
Os dois lados sabem que perdem com o confronto, mas o momento é de mobilizar incendiários e não os bombeiros. E, como sempre, o exercício da mentira, forma mitigada de terror. Hora de lamentar os votos dados aos dois destemperados que não ficam bem no papel de machões a não ser que dancem minueto no final.

Pedágio

Crea e Sindicato dos Engenheiros apresentaram estudo sobre as concessões rodoviárias. Por que agora e não antes? já que o polêmico modelo existe de Lerner para cá e sofreu aquele corte linear, para garantir a eleição, de 50% nas tarifas, o que depois seria glosado na Justiça. Farsa com método.

Aqueceu

Ganha fôlego o caso da UTI do Evangélico de Curitiba. O depoimento de uma médica, e que estava nos Esteites, é que deu início às investigações hoje com um ano de andamento: cinco médicos indiciados e uma enfermeira. A primeira parte do processo se refere a seis mortes e outras 21 estão relacionadas. Dia 21 o Ministério Público decide o que fazer com as provas coletadas.

Folclore

Diante da fala de Beto Richa que não haveria subsídio (ele se valeu disso por cinco anos com tarifas congeladas, a Prefeitura de Curitiba pagando a ousadia) no transporte coletivo a Urbs reagiu anunciando a desagregação do sistema metropolitano e Fruet, assoprando, baixou a bola ao prometer reavaliação. Será que no circo seremos o palhaço de novo? Vamos providenciar o nariz vermelho.

Sem vanguarda

Nos tempos do Paraná sério (antes do PMDB e sucessores, é claro) tínhamos retaguarda técnica para responder a qualquer desafio nacional. Agora não temos quadros para uma atuação nacional. No passado por exemplo fomos capazes de mostrar à Petrobras o erro de não fazer a Usina do Xisto em São Mateus. E fizemos o melhor estudo sobre a localização do polo petroquímico em Araucária, batalha que perdemos politicamente para os gaúchos. Hoje sorvete na testa.

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