Queima de etapas
  A pretexto de driblar a marca a ferro do mensalão no rebanho e acentuar os supostos avanços sociais dos dez anos do PT, como se tudo não tivesse dependido da estabilidade assegurada pelo Plano Real, tenta-se restabelecer aquela aura fanática do partido e que precedeu sua chegada primeiro às prefeituras e depois a governos estaduais e ao da União.
  Em que horizonte estão aqueles basistas que agrediram Mário Covas já minado pelo câncer em manifestações de rua? Eles sumiram, transformaram-se em maioria em empregados públicos e aplicados nas artes imaginárias de comissários do povo, enquanto se procedia a maior operação logística de ocupação do aparelho de Estado já empreendida no país e que tornam anedóticas as feitas por seus antecessores dos anos 50 do século passado da dupla PSD-PTB, este com preferência pelo campo previdenciário.
  Os partidos, todos, não apenas o melhor deles, que ainda é o PT, perderam mística até porque não mais imantados pela guerra fria e o conflito rigoroso entre direita e esquerda. Como acoimar de esquerda um governo que depende da maçaroca ideológica de sua base, que afinal justificou o mensalão, com a direita mais primária especialmente dos micropartidos?
  O país melhorou, sim, como já havia em andamento a mobilidade social hoje tão decantada e carente de base científica nessa descoberta de quem ganha R$ 70 por dia saiu da miséria. Dá para imaginar o quanto avançaria se houvesse menos queima de recursos na gastança incontrolável: se tivesse melhor aproveitado o bom momento simultâneo da economia mundial e da nossa.
  Assim se é válido lembrar os ganhos, a suposta queima de etapas, nesses dez anos de PT, é preciso avaliar também as oportunidades perdidas em função dessa vocação nossa para o patrimonialismo que o PT originário, aquele das ruas e das passeatas, das barricadas, era frontalmente adverso.
Mussa
  O jornalismo de luto: a morte de Mussa José Assis atinge gerações por sua atuação como mestre, organizador e professor.
Causa
  Sabe-se se uma causa é má ou boa pela posição que radicais tomam: está certo o governo federal em tentar tirar os portos do marasmo. Como Requião é contra, mais um motivo para apoiá-la sem hesitação. Basta lembrar o quanto detonou os terminais. Aí foi paradigmático no circo e no cerco dos transgênicos.
Protelação
  O STF acatou pedido de adiamento do júri do deputado Ribas Carli. Como Elias Mattar Assad está na acusação dá mais tempo para cuidar do caso mais recente da médica do Evangélico ainda ardente no noticiário.
Invasão
  Essas invasões como a de Araucária levam jeito de induzidas: derrubada a mata e superado o bloqueio ambiental, tudo pode acontecer. Dramático ver o drama das famílias ingênuas inclusive acoitadas por grileiros.
Folclore
  Quando se fala em Lincoln, jogador coxa que não disse ao que veio, lembram que o seu xará, presidente americano, consagrado no filme, também perdeu varias eleições até ganhar a consagradora. Esperar Godot é mais fácil.

mockup