Impostos e inflação
No laboratório de casuísmos antiinflação do governo federal mais uma iniciativa de natureza fiscal: imunidade de produtos da cesta básica e cortes parciais ou absolutos do PIS/Cofins. Como se vê, ao contrário das medidas de 2012, que tinham caráter pontual com as desonerações tributárias como se deu com automóveis e utensílios domésticos (refrigeradores, linha branca), agora o benefício à economia tem caráter horizontal. O arsenal operativo tem caráter limitado, já que não alcança todos os focos da inflação, um deles que sempre desconsidera, o dos gastos públicos, normalmente em frequente ascensão.
Essa mobilização visa não elevar a taxa de juros, terapia de traço inevitável para combater a hidra inflacionária que em doze meses já atinge 6,15% quando o teto da meta é de 6,5%.
Como até o feijão, componente simbólico da cesta básica, se sujeita ao ônus das importações, há variáveis que não possam ser supridas como deseja a ação governamental. Até aqui o fator de equilíbrio tem sido o nível de emprego, algo que como o vôo do besouro a ciência não explica, que é surpreendente por causa da queda de atividade por exemplo na indústria e compensada em parte pela sustentação do bom nível do setor terciário.
A luta é desigual e o band-aid é mais mobilizável do que a cirurgia que seria a adoção de reformas estruturais que o estamento político, inclusive o núcleo estratégico do governo, despreza por ousado demais para nossos hábitos.

E aqui?
No Paraná levamos as vantagens decorrentes do agronegócio, com evidências como a da expansão de 41% na soja e mais ainda o fato de os nossos anéis de integração do sistema pedagiado, terem tido o maior desempenho da área em todo o sistema de concessões do Brasil. Mal está o governo com as finanças com a prodigalidade das despesas de custeio e com os gastos bem acima dos ganhos na arrecadação, uma conta de chegar enlouquecida. E isso agrava com o problema sucessório, a necessidade de agir rapidamente para conter os desgastes e restabelecer, o quanto antes, uma agenda positiva.
Iniciativas no plano fazendário como as adotadas na substituição tributária para bebidas e refrigerantes e agora o vinho e produtos quentes provocaram reação de produtores e negociantes que operam cachaça ameaçando até de tirar o time de campo. Tal ocorre quando se acentua a dificuldade de remover o breque da Secretaria do Tesouro Nacional a empréstimos e transferência de recursos da União por infringência da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A queda
O Paraná, durante boa parte de 2011 e 2012, aparecia com os melhores índices de crescimento na indústria até que tivemos a pancada traumática da queda e cuja divulgação irritou o governador. O desempenho do comércio, no entanto, de 9% acima do resíduo inflacionário acumulado foi uma razoável compensação. A questão é que os indicadores macroeconômicos, sempre apropriados pelo governo estadual (federal e municipal também), no momento não favorecem.

mockup