Coerência em questão
Durante a campanha eleitoral cobrou-se de Fruet o fato de ter atuado na CPI do mensalão e haver aceito o apoio petista o que não tinha o menor sentido já que também Eduardo Paes, prefeito do Rio, com destaque no mesmo evento é e continua sendo da base aliada do governo federal. Provocação burra e que deu algum destaque simplesmente pelas razões históricas da resistência ao PT em Curitiba e no Paraná e que influenciaram o andamento do primeiro turno.
Mas agora há um caso concreto de coerência: o prefeito curitibano dramatizou de tal forma a crise financeira, deixada pelo antecessor, que se torna grave qualquer decisão de tocar, em tal quadra, o projeto do metrô, isso sem falar nas barbáries técnicas que o configuram e revelam sua inviabilidade. Também o fato de depender do subsídio do governo estadual para assegurar a integração metropolitana mostra que o metrô é uma subversão no plano das prioridades.
Ou a crise não tem as dimensões alegadas, e que precisam de fato ser bem quantificadas, ou a questão do metrô se resume no comprometimento de R$ 1 bi da União no empreendimento, importância que não pode ser perdida.
Palavrão
Apesar do destaque que lhe deram Nelson Rodrigues e a atriz Derci Gonçalves o palavrão está no index das proibições: professora de Londrina foi exonerada por ter usado palavras de baixo calão junto aos alunos em gravação da RPC.
A praxe
Um hábito como o da Assembleia Legislativa e reproduzido na Câmara Municipal de Curitiba de transformar em rotina a ilegalidade deu margem a tal representação de um procurador do Tribunal de Contas, em relatório de 700 páginas, ao Ministério Público. Trezentas pessoas foram ouvidas, há ex-vereadores e vereadores envolvidos e dezenas de servidores enquadrados. Anúncios em aberta afronta à lei eleitoral foram pagos pela Casa e algumas empresas se apressam agora em devolver o dinheiro recebido. Enfim um prato cheio em meio à devassa da origem e destino de mais de R$ 30 milhões.
Proselitismo
Não é bem a escolinha que se pretende fazer na TV Educativa, mas fóruns para apresentação de problemas e soluções da terra. Enfim algo mais sofisticado, palatável, uma ''colinha'' da escolinha. Como no filme ''King Kong'' não dá para cortar o gorila simpático. Sua ausência vai dar saudades e ser vista como propaganda subliminar.
Folclore
Como a substituição tributária fará subir de 2% a 40% a incidência nos vinhos, Luis Groff, dono da ''In vino veritas'', vê aí uma das causas possíveis para a renúncia do Papa. Ironia didática ao apetite fiscal.
Alimentação
Vale alimentação dos servidores do Judiciário é agora de R$ 710, aumento de 77%. Com R$ 32 diários levam o dobro do que recebem os vigilantes depois de tanta luta. No TJ a medida foi vista como igualitária, isso é na comunidade do poder, mas isonomia com Executivo e Legislativo seria impossível.
A palavra privilégio se origina de priva lex, lei privada.
Subsídio
A constatação (depois do drama para pagar três folhas de R$ 3 bi em dezembro) da situação delicada das finanças estaduais pode por em risco o subsídio do transporte coletivo. Daí o nervorismo de Hauly e Fruet e o ar de paisagem de Beto Richa.

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