Um hábito deformado
O governador ficou irritado com o fato de a imprensa haver registrado a queda da produção industrial paranaense. É que tanto ele como seus antecessores e seus colegas brasileiros costumam atribuir-se os feitos positivos registrados na macroeconomia como se derivassem dos seus feitos e o fazem de uma forma tão natural como se isso fosse a expressão de uma verdade inquestionável.
No país, há muito tempo, esses indicadores têm sido positivos, razão pela qual, sem qualquer análise mais aprofundada, o público aceita essa apropriação indevida como se resultasse de ações do governo como se ele tivesse, por exemplo, uma relação imediata com feitos na área agropecuária, industrial e de serviços. E quando aparecem, como agora, resultados negativos, pelo mesmo método errado, tenta inculpar-se por esse mau desempenho.
Claro que todos os governos, tanto o nacional como os locais, adotam esse alinhamento indevido e extremamente pretensioso, ainda mais quando visíveis os pontos de estrangulamento na infraestrutura (estradas, portos, aeroportos e hidrovias) que também responderiam pela queda dos indicadores e as distorções no processo produtivo. A crise industrial, por exemplo, é geral e abrange quase todos os setores, tendo, portanto, característica nacional.
Uma ocasião, governo Requião, foi explorado o fato de no setor químico ter havido um avanço de quase 80% quando isso decorreu de uma questão singela: nos meses anteriores, usados como referência, houve uma greve na refinaria de Araucária que quase zerou a produção. Técnicos do Ipardes sabiam disso, mas não podiam clarear e graças a um economista que me chamou a atenção a explicação foi colocada.
Depois que no Paraná o governo deixou de ter papel indutor na economia perde o sentido lamentar ou glorificar feitos ou falhas que não lhe pertencem. É, antes de tudo, uma pretensão equivocada do papel do gigante flácido e cada vez mais condenado à impotência. Se o governo não atrapalhar já faz muito.
Cassação
Protocolado pedido de CPI para Ana Maria, a vereadora do autossequestro em Ponta Grossa.
Bairro Novo
Centro de Atendimento Médico do Bairro Novo sai da responsabilidade do Evangélico e retorna à prefeitura.
Agora vai?
Tribunal de Contas anuncia auditoria na Rodonorte. O que não tem havido é fiscalização porque o DER acabou e a agência de regulação só saiu agora.
Folclore
Um vereador quer estação tubo com privadinha: por que não exigí-lo em cabines telefônicas?
Comércio
Indústria foi mal, mas o comércio saiu-se bem em 2012: cresceu 9% no Paraná acima da inflação acumulada de 5.84. Quem tem que rir é o comércio e também o fisco, se esse cumpriu o seu dever. Se o governo não atrapalhar já faz demais. Por sinal que o registro paranaense foi acima da média nacional (6.4%) e a inadimplência de 8%. Na tv deu pra ver o drama de 17 mil carros levados à leilão, o que acentua o drama das dívidas das famílias.

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