Sacralização da greve

O que é mais sagrado: a greve ou o direito das maiorias? Essa é uma questão que se invoca quando a parede dos vigilantes bancários alcança uma semana. Dispositivos acionáveis para a conciliação e o entendimento das partes em conflito estão no campo administrativo e no jurídico, ambos com um ritmo inadequado para buscar a pacificação e que exigiriam cautelas em favor dos direitos das maiorias submetidas à condição de reféns.
Se o confronto durar amplia-se o sacrifício da população impedida de chegar nos bancos e assistindo a rápida escassez de meios de atendimento nos caixas eletrônicos e na precariedade improvisada das agências lotéricas. Se o patronato apelasse para a sua omissão, o locaute, como fez a GM, com o poder de barganha das montadoras, para forçar o poder público a acatar as suas pretensões, ameaçando tirar o time de campo e deixar mal a presidente Dilma com uma dispensa em massa teríamos um cenário de anomia de primeira ordem.
Aqui no Paraná, um dos mais novos mercados, algumas greves como a da Volks em torno de participação nos lucros e resultados levou quase 40 dias, o que prova a ineficiência dos mecanismos existentes para evitar abusos como o de obrigar uma parte dos trabalhadores a retornar aos seus postos (em hospitais, estação de tratamento de água, geradoras de energia, metroviários, ferroviários e transportes coletivos em geral seria indispensável) o que, em casos bastante específicos, geraria uma forma de minar a abrangência do movimento.
O Brasil, como se viu no caso da GM no interior paulista, é um refém (como de certa forma isso se dá com países de maior porte como se notou na crise dos Esteites com o farto financiamento colocado em favor das automotivas) das montadoras que aqui encontram o seu paraíso em matéria de abusos como o do preço dos seus produtos que vão muito além do custo Brasil (cerca de 40% de carga tributária) em função da maior taxa de lucros do mundo. É esse pacto que facilita a durabilidade das greves e sua sacralização.

Reincidente

Reforma secretarial aqui não é enxgumanto e depuração, mas empreguismo: só com essa mexida na pasta do governo 41 novos cargos em comissão. Não existe preocupação com a racionalidade, mas a ânsia em nomear, fazer proselitismo eleitoral, embora a infringência da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Xisto

Bastou a Petrobras decidir pagar royalties ao xisto de São Mateus e o MP entrou com ação exigindo ajuste ambiental, apesar dos anos de exploração.

Folclore

Querem ferry boat sem filas? Simples: fechem Guaratuba às migrações e limitem a presença de banhistas a 50 mil como faz a Ilha do Mel e Bombinhas (SC) tenta.

Solidariedade

Dilma agradou o agronegócio em Cascavel e os sem terra em Arapongas e isso dá mais IBOPE do que prestigiar Renan Calheiros e Henrique Alves no Congresso.

Abuso

Diz Tadeu Veneri que o governo gastava R$ 9 milhões em comissionados até dezembro de 2010 e que subiu para R$ 17 milhões em dezembro de 2012. E depois se irritam com a prensa da STN, Secretaria do Tesouro Nacional.

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