Incêndio das contas
O país se mexeu em função da tragédia de Santa Maria: uma ''cruzada'' foi sustentada no esforço de ampliar as bases da prevenção. O ocorrido com as contas de Curitiba, mais de R$ 460 milhões de despesas fora de previsão no orçamento, até por ter decorrido de uma tentativa de reeleição, deveria acionar mecanismos de instituições como o Tribunal de Contas para evitar repetições intoleráveis. Ora estamos com a sequência de reeleições tanto na Capital como no Paraná: antes de Beto Richa, Cassio Taniguchi e os casos de Requião e Lerner mostram que é algo que justifica antecipação dos controles para evitar o pior. Caso contrário, matreiramente, a reeleição vai ser um meio de despistar tudo como estavam indicando.
O sistema de transferências, adotado pelo TC, foi contestado por Beto Richa que conseguiu o salvo-conduto de uma liminar no Judiciário para desobrigar-se do que via como um constrangimento, o que comprova que as contas pedem, hoje mais do que nunca, um maior controle até porque ferindo abertamente a Lei de Responsabilidade Fiscal nos gastos com funcionalismo e na evidência, mais do que concreta, de que embora a receita aumente, as despesas de custeio tendem a ganhar progressão geométrica. Gestão temerária, o mínimo que se pode dizer.
Há agora para mostrar como demoram as providências das autoridades um relato do Tribunal de Contas fulmimando atividades da Câmara Municipal de Curitiba e que mostram que não era apenas um cordel acionado por João Claudio Derosso, mas do qual participavam outros personagens, alguns tidos como ilustres e até reeleitos. O raciocínio é singelo: o que se faz por hábito, consagrado pela praxe, não é delituoso, mas normalidade ratificada pelo uso.

A greve
Apesar da classe no interior ter aceito a proposta patronal, vigilantes em Curitiba persistiram na greve e nem esse fator tirou a justiça da postura contemplativa e de respeito a rituais prolongados, embora o prejuízo causado à maioria da população. A simples circunstância de boa parte da categoria ter desistido da greve, já que dependia de sua consistência regional para vencer, deveria fazer com que tanto autoridades administrativas como judiciais viessem a operar como mediadores da contenda e com a máxima urgência.

Cloaca
A cloaca vertida em imagens das cozinhas de bares e bistrôs modernosos de Curitiba mostra como andam nossos padrões de gosto e higiene. Como se vê a Sanepar faz escola com seu hábito de esconder esgotos pelos quais deve ao Ibama e outras instituições uma fortuna em multas.

História
O ex-deputado federal Léo de Almeida Neves declarou na CBN que se Souza Naves estivesse vivo não só seria o governador paranaense como a única pessoa capaz de segurar Jânio Quadros na renúncia. Naves acertou a candidatura de Jânio pelo PTB paranaense em 1958, o que Brizola faria mais tarde no Rio pelo PDT.

Folclore
Nessa eleição de Jânio, ele saiu em primeiro com 78.810, Ney Braga em segundo com 57.099 pelo PDC, Accioly Filho (PSD) com 56.392 e Plínio Salgado (PRP) com 50.628. Se facilitou a campanha presidencial de Jânio também motivou a de Ney que fez sozinho a legenda do PDC para habilitar-se em 1960 e ganhar.

mockup