LUIZ GERALDO MAZZA
Guerra é guerra
Anedota de mau gosto é no ambiente bélico: soldados alemães invadem a casa de lavradores e intentam violentar a avó e a netinha que soluça pedindo que poupem a nona e essa replica: querida, guerra é guerra. Há didáticas que reclamam Engov, muito Engov.
Pois não foi dessa guerra, da qual participamos e onde houve os acertos iniciais para ações militares no Brasil que se iniciariam com a derrubada de Getúlio Vargas e sustentariam os fundamentos da intervenção em 1964, mas da guerra fiscal que Beto Richa foi tratar com o ministro Joaquim Barbosa, do STF, para a formalização de súmula vinculante que submeta qualquer benefício fiscal à aprovação prévia do Confaz, Conselho Nacional de Política Fazendária, constituído pelos secretários estaduais de finanças.
O ministro achava e com sobra de razão que o Paraná era a favor do clima de desregulação, do qual se beneficiou ao longo do tempo, especialmente na gestão de Lerner, para atrair as montadoras para as quais usava o mimetismo dos chamados protocolos de intenções que protegiam os contratos, o denominado ICMS incremental no dizer do ''scholar'' Miguel Salomão.
O governo acabou percebendo, depois de tanto beneficiar-se, que a anomalia o prejudicava e isso ficou visível nas perdas de investimentos para catarinenses e paulistas como nos casos da BMW e da Foxcom, esta dada quase como certa no oba oba oficial.
É possível que Lerner teve melhores negociadores do que os de agora, pois guerra é guerra como adverte a senhora da anedota abominável.
Pé no rabo
Houve um momento em que aborrecido com as delongas de brasileiros para se ajustarem aos compromissos da Copa que o secretário da Fifa, já a paciência esgotada, disse que o remédio era dar um chute na sambiquira de nossa gente para que se ajustassem a um cronograma. De Gaulle ficou célebre na guerra das lagostas quando disse elegantemente que o país não era sério. Nem com a ameaça do nada elegante pontapé, mas desmoralizante como aquele do Garrincha no marcador chileno em 1962, o pessoal se mexeu, pois como todos afirmam o Brasil é um milagre e isso se vê no seu carnaval, obra prima de trabalho e arte. Convencer o Atlético Paranaense a alinhar-se nos termos contratuais a que se submeteu é uma dessas dificuldades como se vê e que as atribui a demoras burocráticas de liberar recursos e benefícios como os da regulação reajustada dos papéis do incentivo construtivo.
Milagre
Milagre é a condenação dos mensaleiros e a denúncia contra a Rosemary. O normal é o que houve ontem: a escolha do presidente do Senado. É a distância entre o desejável e o possível. Estamos ainda, repita-se, nas dores do parto da democracia, e evitar o aborto é necessário, nem sempre possível.
Metas
Uma das idiotices do contrato de gestão do governo é a de fixar parâmetros, por exemplo, para indicadores de homicídios: metas de dois anos caíram, mas nem se aproximaram dos números propostos, ainda três vezes acima do aceitável.
Folclore
Fruet vai depois de amanhã na Câmara Municipal para dizer que não pode pagar nem seus compromissos imediatos. A vantagem da reeleição é que jamais teríamos esse tipo de notícia se Ducci ganhasse. O PMDB, majoritário, quer poupar o governo desse constrangimento reelegendo Beto Richa como fez com Requião.





