LUIZ GERALDO MAZZA
Muitos Vietnãs
Temos o Vietnã dos acidentes de trânsito nas cidades e estradas e os dos assassinatos que abrangem os 50 mil anuais no Brasil. O Paraná não foge à regra e mesmo com os aparatos especiais de Curitiba a taxa continua elevada, ainda que tenha caído: em 2012 tivemos 597 diante dos 685 de 2011. A menor taxa, de 549, se deu em 2007. Já na Região Metropolitana como na Capital houve queda: 797 no ano passado e 858 em 2011.
Dá para ver que onde aumenta, ao menos um pouco, o policiamento ostensivo, há essas mudanças significativas, ainda mais quando adicionadas de sofisticações como a das Unidades Paraná Seguro. As coisas não se dão em escala estadual, tanto que no Paraná o saldo de homicídios em 2012 foi um pouco maior do que no ano anterior: 3.135 contra 3.085. Um dos saltos mais surpreendentes foi o de Paranaguá com 140% de alta entre um ano e outro: 89 a 37. Cada área tem raízes próprias como o desemprego endêmico na cidade-polo do litoral e em consequência o caldo de cultura do tráfico de drogas.
Os números são robustos demais para serem subestimados e é indispensável ir além da terapia empregada até porque só agora o governo mexe no drama do efetivo das polícias civil e militar, defasado em mais de duas décadas.
Inflação
Mesmo depois de ver-se obrigado a mexer no preço dos combustíveis para não afundar ainda mais a Petrobras, o porta voz do otimismo, ministro Mantega, afirma que essa alta da gasolina e do óleo diesel trará consequência mínima ao contrário do que pensam setores empresariais atingidos pelo impacto. A queda de um insumo da produção, a energia, não compensará inteiramente o cenário em função de reajustes estaduais como esse da água no Paraná de 1O,62% e também de sequelas dos combustíveis no conjunto da produção como o do implacável reajuste das tarifas de transporte coletivo.
Para-choque
Dois fatores operam como para-choque da crise: o nível de emprego, até aqui com mínima alteração, e a sustentação do consumo que tem seus fundamentos de risco visíveis no endividamento das famílias em escala nunca antes atingida e na taxa elevada de inadimplência.
Justiça
Está marcada para hoje nova greve dos vigilantes e que implicará no fechamento de agências bancárias. O cronograma longo das conciliações não impede que se detecte, desde o início, que um conflito de duas minorias não pode se sobrepor aos direitos difusos da maioria esmagadora. Justiça menos contemplativa e mais atuante é indispensável.
Folclore
O otimista de Voltaire, o mais radical deles, era Pangloss que sempre se via no melhor dos mundos. Há muitos deles, quase profissionais, em nossos vários níveis de governo.
Pesadelo
Do sonho do julgamento do mensalão à mediocridade da eleição na presidência da Câmara Federal e do Senado temos o descompasso entre instituições bastante assimétricas e um momento de voo condoreiro oposto ao do abismo.
Privatização
Um vereador quer privadas na estação tubo: por que não transformá-las de vez em sanitários públicos? E se dois ou três quiserem usá-la a um só tempo?





