Consciência culpada
Basta uma tragédia, seja por acidentes naturais como deslizamentos (área atingida no primeiro ano de gestão atual não cicatrizada no litoral como também nas encostas do Rio) ou episódios chocantes como o de Santa Maria, para assistirmos o espetáculo de sempre: autoridades prometendo aquilo que jamais cumprirão em matéria preventiva, prisão dos presumíveis culpados e, é claro, demonstrações de solidariedade como as que tomaram conta do país, o que pelo menos preserva a nossa humanidade, agredida e impotente.
Muito antes da queda de edifícios no Rio provocadas por reformas que minaram o equilíbrio da construção os bombeiros do Paraná tinham um plano, há quase dois anos atrás, para inclusive interditar prédios. Bastou o aceno para que interesses corporativos ligados ao mercado imobiliário achassem as medidas inadequadas para um momento de demanda aquecida.
O Palácio Araucária é exemplo dessa desídia: a construção visava o Fórum e durante seu andamento tivemos diversas trombadas entre o órgão estadual de controle e a empreiteira, o que não impediu que a obra fosse concluída depois de paralisação e com defeitos que a submeteram a um corte de vários andares. Iniciada no governo José Richa, foi imobilizada com Requião e só no terceiro mandato do mesmo personagem transformada no Palácio Araucária que substituiu, por algum tempo, o Iguaçu.
Temos um histórico de sinistros como os do porto: dos anos quarenta com o incêndio do setor de madeiras por mais de uma semana, a explosão do silão em tempos recentes e também a do navio chileno VicuÀa; obras comprometidas como a da residência do governador no Centro Cívico retirada do plano original. Em tudo a imprevisão e o desperdício e a não cobrança de responsabilidades isso para não falar em obras inviáveis como a da Usina Hidrelétrica de Cotia, onde simplesmente não havia água. O histórico não autoriza confiabilidade nas autoridades, embora a pressa com que tentam se mostrar sensíveis.

Expectativa
Acho que os londrinenses esperam que o Tubarão vire a Baleia santista para comparacer ao Estádio do Café: depois de duas goleadas com soma de 10 gols mostrar desconfiança ou é lucidez demais, do cansaço das decepções, ou uma indisposição ao entusiasmo. Menos de 4 mil espectadores na terceira goleada é de surpreender: os atletas têm mais alegria do que a torcida.

Pessutão decide?
Orlando Pessuti admite a aproximação com Beto Richa mas acha inegociável a candidatura ao governo pelo partido. Pelo jeito só pode ser a dele, hoje com um potencial de votos insuficiente para uma vaga na assembleia estadual e sem expressão para configurar-se como anti-Requião em termos doutrinários. Foi, no entanto, com a sua obstinação que decidiu a convenção partidária.

Folclore
Até outro dia os esgotos dos três poderes no Centro Cívico eram jogados no Rio Belém sem tratamento: quem faz isso é capaz de exigir senso de previsão nos outros e deitar falação sobre segurança em locais de eventos?

Japão
Além da bronca da Praça do Japão por causa da parada de ônibus temos outra, agora do Parque do Japão recém lançado e já ao abandono. Ética das etnias.

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