LUIZ GERALDO MAZZA
Mais técnico?
O governador Beto Richa argumenta que o perfil do seu secretariado, com as mudanças, ficou mais técnico do que político. De repente aquilo que era heresia, na boca dos profissionais, virou virtude: só falta argumentar que o Paraná seria um exemplo de culto à tecnocracia.
Há no principal integrante da reforma, Reinhold Stephanes como chefe da Casa Civil, a convergência do fator político ao tecnoburocrático: poucos agem no ecossistema do gerenciamento com a sua vivacidade, expressa em ministérios e secretarias que ocupou ao longo da carreira. Ninguém. no entanto, soma esses dois componentes, o técnico e o político, quanto ele. Quando por exemplo fez a defesa da reforma previdenciária foi acusado, e isso é verdadeiro, de haver se aposentado muito jovem e nem por isso perdeu o equilíbrio e ao contrário deixou lições da melhor doutrina de um feito infelizmente inacabado. No banco estadual foi para o seu comando quando já estava na UTI e se tratava na verdade de prepará-lo para a inevitável absorção por rede privada, tarefa que para seus aliados de passado recente, como o senador Roberto Requião, ele se dedica num momento de naufrágio. Para Reinhold seu trabalho é missão de traço profissional, seja a de preparar as exéquias de um banco ou de tentar salvar o navio que aparenta, ao menos para a oposição, fazer água. Com ele há a certeza pelo menos de que o governo terá uma direção, o que já é um feito.
O federal e o estadual
Nessa quadra do governo Beto Richa, ora no seu terceiro e decisivo ano, já que o quarto será curto e de eleição, dá para perceber como divergem as visões do ''federal'' e do ''estadual'' na política. Na bancada federal o empenho é o máximo de servir à causa da base aliada e da reeleição de Dilma Rousseff, já na estadual a visão é de um horizonte mais imediato, razão pela qual a maioria parlamentar não enxerga futuro fora dos nutrientes oficiais locais. Ocorre que a malha das bases depende de prefeitos e vereadores e esses, embora as mais recentes promessas da presidente em campanha aberta de provê-los, se ligam, de forma mais imediata ao poder estadual.
A nova configuração do PMDB é ambivalente porque somou os interesses locais aos nacionais no fervor da derrubada de Requião e se percebe a contradição na dificuldade de acomodar uma figura de peso, Orlando Pessuti, que não é lá uma usina de votos, mas bom parceiro de pôquer e apto nas artes de neutralizar ou de fazer o blefe que vence parada.
Folclore
Mestre Carlos Drummond de Andrade já dizia: ''enquanto o poeta municipal discute com o poeta estadual, o poeta federal tira ouro do nariz''.
Técnicos
Perfis mais técnicos do governo estadual pelo jeito não prevaleceram: Luiz Eduardo Sebastiani, uma das expressões mais fortes, não fica no secretariado e assume a diretoria financeira da Copel, para cuja presidência segue um político sem votos mas muito devoto, o Fernando Ghignone; um agudamente técnico e sub-aproveitado é Cassio Taniguchi no Planejamento, algo inexistente desde que a turma do PMDB e PSDB pegou o governo e aí exercitou uma obra de desmanche que sequestrou da rotina de Estado a reflexão, em cima de dados e analogia, sobre o nosso futuro imediato e mediato, o diagnóstico e a prospecção.
Furo
Se a Urbs tem furo de R$ 100 milhões e as empresas de cerca de R$ 200 milhões imaginem a mordida que pretendem dar na tarifa do usuário. Caso de polícia bem antes do quebra-quebra.





