LUIZ GERALDO MAZZA
Alianças comuns
Requião quase aplica, na última eleição de governador, um golpe de malandro de parque ao ungir como seu vice, dentro da convenção do PSDB, o deputado Hermas Brandão. A jogada não deu certo porque o Diretório Nacional tucano interveio no Paraná e deixou o dito pelo não dito. Mas a aliança continuou tanto que deu maioria ao PMDB e ocupou algumas secretarias, não tantas quantas o ''velho de guerra'' pretende agora do Beto Richa.
Fixe-se o detalhe dessa precedência para que haja razões de sobra a essa maioria peemedebista estar por aí ansiando maior presença no secretariado nessa novela tosca de sua reforma. O PMDB tem uma carta não revelada: se no bojo da reforma política houver a proibição das alianças nas proporcionais, ele que detém maior capilaridade (já o demonstrou com maiorias no parlamento quando seu candidato presidencial, Orestes Quercia ou Ulysses Guimarães, teve pífia votação) levaria todas as vantagens e poderia fazer acordos com Deus e o Diabo e assim mesmo manter a hegemonia.
Naquele episódio de Hermas dando uma lavada nos supostos cardeais do PSDB, tidos como sábios e gênios, ficou demonstrada também a fragilidade dessas articulações e a maior competência dos pragmáticos. Que persistirá de novo.
Desequilíbrio
Com a supressão do pronto atendimento do Evangélico, retomada ontem com os atrasados da gestão Luciano Ducci, só no Hospital Angelina Caron de Campina Grande do Sul houve uma sobrecarga calculada em 30%. Situação da saúde no Paraná mostra a fragilidade do governo no descaso com a possível epidemia de dengue. Se nessa malha assistencial as prefeituras falharem será o caos.
Livros
Apesar de não ter um desempenho excepcional, o Paraná é a segunda unidade da federação em bibliotecas escolares, perdendo, é claro, da gauchada. Nosso índice de leitura de jornais, muito inferior ao do Rio Grande do Sul e mais fatores como a tradição de editoras (eles com a ''Globo'' de Érico Veríssimo e nós com a bem menos equipada ''Guaíra'' de Plácido e Silva) pesam. Índice dos gaúchos é proporcionalmente o maior do país: jornais como Zero Hora têm quase cinco vezes a circulação dos nossos maiores periódicos. Comparar nós com eles é como medir as feiras nacionais de livros com as nossas. Vinte a zero.
Pactos
Um dos pactos nacionais que o Paraná não cumpre é o da Responsabilidade Fiscal: a Secretaria do Tesouro Nacional, guardiã do comportamento, afirma que nada passa da terra por causa disso. Acordos como os feitos com o TC local, aquele relativo a dispêndios com aposentados, não valem. Aliás Beto Richa não quer controle nenhum: tanto que obteve liminar no TJ contra o funcionamento do SIT, Sistema Integrado de Transferências, criado pelo corpo técnico a pedido do ex-presidente Fernando Guimarães. Somos uma autarquia: só o olho externo, bem mais agudo do que o do MON, é que funciona.
Folclore
No Paraná prevalece o opaco, pois há resistência até ao translúcido. É área incompatível à transparência. Luz demais, dizem os cínicos, cega.
Impasse
Se as empresas de ônibus estão quebradas e a Urbs também com deficit de R$ 100 milhões, nós, os usuários, somos compelidos a levantá-las como sempre.





