LUIZ GERALDO MAZZA
Fragilidade histórica
As esquerdas, não as ''genéricas'' de hoje, sempre foram muito frágeis no Paraná. Na reconstitucionalização do País, em 1947, o Partido Comunista, apesar de sua força em Paranaguá e Ponta Grossa, elegeu apenas o jurista Vieira Neto enquanto os integralistas, os ''galinhas verdes'' de Plínio Salgado, emplacaram dois. Alias os defensores da democracia orgânica, PRP, Partido de Representação Popular, que tentava romanticamente reproduzir as corporações de ofício da Idade Média, chegaram a ganhar a eleição presidencial com Plínio Salgado em Curitiba e Ponta Grossa, em 1955, registro surpreendente e calcado no tom idealista da doutrina, o que se repetiria em pleito seguinte com Afif Domingos, pregador liberal, com expressiva votação.
Quando me refiro à esquerda genérica trato de algo desconectado da doutrina essencial e que junta fragmentos da luta libertária com os do igualitarismo. Não se trata sequer da ''new left'' ianque, que não abre mão da liberdade, ao contrário da outra que a suprime por método, mas se trata da esquerda liberal.
Um teste péssimo
Tivemos uma experiência teste em 1962, governo Goulart, quando do início da propaganda eleitoral gratuita com acesso a todos e sem condicionantes à representatividade nos legislativos. E foi se valendo dessa contingência que o então Partido Socialista Brasileiro recebeu as esquerdas da Universidade e do jornalismo e também do Partido Comunista, posto fora da lei e tentou o pleito com resultados pífios e de nomes fulgurantes como os dos advogados Vieira Neto e Jairo Régis, dos mestres da Medicina como Amilcar Gigante e do gênio da Genética Humana, Newton Freire-Maia, de obreiros como Expedito Rocha e o velho militante do PC, capitão Agliberto Azevedo.
O puxador de votos do PSB nessa eleição era o advogado Vieira Lins, que em 1954, ano da tragédia de Getúlio Vargas, era seu líder na Câmara Federal, que aparecia como candidato ao Senado e orador excepcional do júri e do parlamento. Só ele fez votação apreciável com 63.252 votos. Apenas 9.962 votos foram obtidos para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa, em que pese o fulgor dos nomes dos candidatos e sua expressão científica e acadêmica. Não havia sentido técnico e profissional na campanha, daí seu escasso proselitismo.
Ney, o gênio
É verdade, também, que muitos votos da esquerda foram para a dobradinha Amauri Silva, PTB, e Adolpho de Oliveira Franco, UDN, montada por Ney Braga. Nada menos de três ex-governadores disputaram o Senado: o próprio Adolpho, que exercera mandato-tampão e Munhoz da Rocha e Moysés Lupion. Amauri 390.057 votos, Adolpho 326.837, Munhoz da Rocha 224.959 e Lupion 217.627.
Carecia de estrutura a esquerda mais real para o embate e ausência de profissionalismo, razão pela qual ela parecia ter um discurso para ganho do Diretório Central dos Estudantes, longe do pragmatismo adversário. Mas foi uma experiência, ainda que ingênua, importante para mostrar resistência pública ao socialismo, ainda mais quando pregado abertamente e com o Expedito, operário, com boné de lã, avisando no ar que a ''mais-valia vai acabar''.
O gênio dessa eleição foi Ney Braga que já havia ganho o apoio do PTB e fez crescer o seu PDC, aquele com 10 cadeiras e esse com nove na Câmara Federal e um empate de 12 a 12 nas cadeiras do legislativo estadual.





