LUIZ GERALDO MAZZA
Malhas resistentes
Há mais do que 24 anos no grupo dominante no poder em Curitiba. A rigor esse grupo se instala, já na primeira eleição, com a vitória de Ney Braga em 1954. O sucessor, general Iberê de Mattos, do PTB, é de oposição, mas daí para a frente, de Ivo Arzua em diante, é a mesma turma com o ciclo interrompido por Maurício Fruet em 1982 e Roberto Requião em 1985. Daí em diante passando por Lerner, que já estivera antes na casa, todos são da mesma dinastia, apenas diferenciados em detalhes de estilos.
Se até nas pedras no fundo dos rios o limo nela se agrega dá para imaginar a teia armada de interesses ao longo de tempo expressas em concessões nem sempre muito claras das que vão do transporte coletivo, tocado por uma sociedade anônima de difícil enquadramento como ente público, a Urbs, cujo paradigma de Minas Gerais, a BHtrans, foi fulminada pelo STJ até a questão do lixo e que se aparenta insolúvel. Para esse aparato digno de ser enfrentado mais pelo bárbaro Conan do que por Don Quixote que trocou o Roncinante por uma bicicleta há mais do que firmeza a ser aplicada e até o emprego de reservas de paciência de um indu, superiores às do Jó bíblico.
Quem tem pressa pode achar que estará havendo complacência, mas não há alternativa: a malha resistente, capilarizada, vai muito além do que possamos imaginar, e para enfrentá-la o esforço será maior do que o dos trabalhos de Hércules na mitologia, uma hidra e um cachorro de várias cabeças na esquina.
Realismo fantástico
Política no Paraná beira o realismo fantástico: o episódio de Ponta Grossa com o incrível autosequestro da vereadora (o mais inusitado a vitória da oposição na direção executiva ontem com empate e sagração do PCdoB, logo lá onde a direita sempre foi hegemônica desde o tempo dos galinhas verdes), o caso do prefeito interino de Colombo nomeando correligionários da prefeita cassada, Bete Pavin, e o de Santa Inês com ataques a tiros na prefeitura.
A justiça eleitoral em Colombo é alvo de deboche: a cassada dá as cartas publicamente até no site oficial. Em Ponta Grossa os partidões, o antigo PCB às voltas de novo com o albanês PCdoB, é de lascar, mas diverte.
Transparência
Nota dez para a polícia na rapidez com que solucionou a farsa do sequestro da vereadora em Ponta Grossa. Como estamos no tempo do Portal da Transparência por que continuamos, sem nada saber, da invasão da mansão por policiais encapuzados e da omissão notória no caso do jornalista Mauri Konig que flagrou delegados usando viatura para ir ao bordel e levar filhos à escola e que apesar dos malfeitos acabaram promovidos, embora a sindicância instalada?
Cancelamento
O prefeito Gustavo Fruet comunicou as empresas de transporte coletivo que suspendeu seus pagamentos, um deles marcado para ontem da ordem de R$ 4 milhões. Em 1955 e depois em 1958 elas fizeram locaute e levaram a pior. Isso é história, não histeria. A primeira Ney Braga respondeu com caminhões do Exército fazendo o transporte, a segunda o general Iberê de Mattos conseguiu arrestar toda a frota enrustida em São José dos Pinhais. Eram milicos.





