Conflito indispensável

Para a sociedade do compadrio, onde tudo se acerta, como a nossa torna-se indispensável o conflito de interesses para que verdades venham à tona. É o que pode se dar no caso do transporte coletivo, que não é uma ''caixa preta'' mas algo como um bunker de negócios entre governo, políticos e empresários. Ainda que se deva olhar com suspeita a suposta colizão entre Urbs e o cartel pelo casamento indissolúvel de tantos anos (a denúncia de que há dispêndios caros e dispensáveis como os negócios do Instituto Curitiba de Informática juntamente com a Dataprom e que custariam R$ 8 milhões anuais no molho desse sanduíche corrigível com a bilhetagem automática) no pedido de auditoria de ambos, o fato é que essa hipótese, desde que vinda de instituição independente (existiriam na praça?), poderia gerar radiografia ampla da situação, pondo-se fim aos mistérios.
Ocorre que se trata de situação estabilizada, praxística e por isso mesmo tida como legal, como eram os chunchos do legislativo estadual, e romper essa armadura medieval não será fácil. As primeiras medidas do novo prefeito indicam essa predisposição para conhecer as amarras que sustentam contratos da ''Mãe Curitibana'' que é a prefeitura que tudo preside e controla mantendo a mesma clientela que gravita em torno do poder há tantos anos. Não será porém com um toque de trombeta que se derrubará o fortim de Jericó.
Mesmo que o conflito seja simulado, a auditoria já seria um avanço. Convocar o MP é indispensável: não esquecer que foi ele o questionador da Urbs na política de trânsito e que tramitou durante 15 anos no Tribunal de Justiça. Dá para ver aí a dificuldade institucional de agir.

Intolerância

Kireeff, prefeito londrinense, assumiu criando um comitê de Transparência e Controle Social e prometeu radical intolerância com qualquer forma de fraude e corrupção, traços endêmicos na vida política da cidade.

Desafogo

Nada menos de 350 presos do litoral foram deslocados para Piraquara aliviando as delegacias. Secretaria de Justiça fará pioneiramente a ficha com DNA de 3.500 homicidas, estupradores e autores de crimes hediondos.

Paranoia

Sequestro de vereadora do PT em Ponta Grossa, de forma misteriosa, se torna tema dominante do noticiário político, cheio porém de incoerências. Ana Maria, prima do deputado Péricles de Mello, também ameaçado, poderia ter sofrido a coação em função do seu voto na eleição da Comissão Executiva da Câmara Municipal. Como, porém, a eleição foi adiada, o golpe teria frustrado.
Situação ficou ainda mais tensa com a prisão de um assessor da vereadora.

Folclore

Bete Andrade estava em Brasília na casa de um parente, oficial da Marinha. Toca o telefone e Bete atende: do outro lado da linha a primeira dama Sila Medici. Bete não acredita, acha que é trote e diz que é a Xuxa. Que não era a rainha dos baixinhos, mas do dentista Piá de Andrade, seu marido, que via a cena ao lado espantado.

Assaltos

Bomba junina na caixa postal e como não há reação de moradores, os ladrões agiram. Assim se deu em quatro residências no Jardim Social na Capital.

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