LUIZ GERALDO MAZZA
Tudo por fazer
Depois do ciclo Ney Braga, Paulo Pimentel e sucessores, criou-se a ideia de que o Paraná ''estava pronto'', conclusão a que chegou o jornalista Hélio Teixeira em reportagem publicada na Veja. A publicação, como não poderia deixar de ser, estabeleceu polêmica já que quanto mais uma região avança novas demandas afloram.
Isso vem a propósito do momento vivido que é exatamente o anverso disso tudo pela circunstância de que a primeira noção que provoca, numa observação geral, é justamente a de que está tudo por fazer, partindo-se principalmente da questão da infraestrutura, da portuária à aeroportuária, da hidrovia ao sistema rodoferroviário. Pelo nosso potencial há a visão que vai além da omissão ao desperdício.
Quem olha o cenário atual e viveu o anterior do ciclo referido a primeira noção é de absurdo, levando em conta o parque produtivo e o orçamento superior a R$ 30 bilhões do governo que se torna, pela imensidão de recursos, um quadro de autofagia e, sobretudo, de ineficiência.
O pior em curso é o ideário: a noção de que a despeito do seu tamanho e de sua infertilidade, o gigantesco eunuco, o aparato estatal, carece cada vez mais de recursos para atender a sua fome pantagruélica de dispêndios. O mais chocante é que o governo diz ter um sistema de contrato de gestão, como se percebe, pelos resultados obtidos, condenado ao mais rotundo fracasso.
Duas evidências do mau desempenho: a situação financeira de debacle, sem perspectiva de médio prazo de solução, e a irritante e doentia constatação de que se continua gastando mais do que se arrecada.
Desperdício de imagem
Pesquisas recentes - uma de taxa de credibilidade pessoal e outra de confronto com possíveis adversários na sucessão - revelam que, a despeito do mau desempenho eleitoral recente, o governador Beto Richa mantém um capital apreciável de prestígio e não se trata de um resultado ''sedimentar'', porém decorrente ainda da aura de sua eleição de dois anos passados. E parece que ao menos até aqui nada se fez, em termos de imagem, para recuperar parte da poupança obtida em sua massacrante vitória. Segue-se, em função disso, a caça às bruxas, aos imaginários e verdadeiros culpados, pois sempre é mais fácil ao áulico esse exercício do que tentar ver os defeitos e desvios do patriarca, quase sempre olhado como um Rei Sol de nossa república de opereta.
Há uma imagem boa, a do governador, cultuada em grande parte do público, mas ela carece de vitalidade essencial, não apenas quanto à gestão medíocre e também no discurso político, na sua inserção nacional na oposição. Como o profeta dos assuntos consumados, dá para notar que não fosse sua implicância, que repetiu a de Requião, contra Gustavo Fruet e houvesse maior empenho no pleito senatorial teria afastado da pista o seu maior crítico e poderia ter capital para vencer ainda o pleito municipal.
Na medida em que fechar protocolos com investidores multinacionais e também brasileiros restabelecerá, ao menos em parte, o clima dos tempos de Lerner com as montadoras e de outro lado chegar a um efetivo programa de investimentos públicos terá criado condições superiores às atuais para ato grandiloquente de ruptura dessa apatia contagiante e que decorre da inércia insuperável.





