Contra o espetáculo

A decisão do ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, de negar o pedido do MP pela prisão imediata dos condenados do mensalão, é sábia, obediente à jurisprudência estabelecida, que não a admite sem o esgotamento de recursos, e neutraliza a hipótese do cenário circense, bem ao gosto dos políticos, que se estabeleceria caso o presidente da Câmara Federal, Marco Maia (olha o sinal do calendário e a data fatídica de ontem) acolhesse deputados condenados para uma resistência. Isso certamente restabeleceria o mundo assembleísta dos tempos do PT mais rebelado e idealista, então portador da bandeira ética que na sequência comprometeu, e ao gosto daqueles que tentam, de qualquer modo, negar a seriedade e neutralidade da Corte superior e temem desdobramentos que atinjam sua maior liderança, o ex-presidente Lula.
Prestamos vassalagem, compulsiva, à sociedade do espetáculo e, embora o fato nela se inclua, ele tem o poder de diluir o cenário desejado especialmente pelos que tentam dar caráter político às decisões técnicas do STF e politizá-lo à exaustão como estão fazendo.

Homem aranha

Finalmente a Associação Comercial e a prefeitura da Capital (essa com a sua Guarda Municipal) se ligaram na necessidade de combater as pichações que chegam a gerar prejuízos calculados em R$ 1 milhão anuais sem falar no aspecto marginal e selvagem que conferem à cidade. Há quem diga que até empresários (o que soa meio paranóico) estariam por trás dessas manobras para desvalorização de imóveis na hora em que se restabelece a ''bolha'' no mercado. O recurso pedagógico de convocar grafiteiros artistas para ornar muros e órgãos públicos como terminais de transportes não barra o suficiente, embora os contenha, os predadores. Na Capital há prédios de mais de 20 andares tomados pela ação dos
pichadores e fora de comercialização, o que é prejuízo para todos.

Resposta menos aguda

O governo tomou conhecimento das ameaças a jornalistas (Beto Richa determinou mobilização para averiguar o caso, o secretário de Segurança também se alinhou nesse esforço, o Gaeco comanda investigações). Tudo isso ficou visível, mas como resposta é menos aguda do que o desafio proposto, mormente com a decisão de Mauri Konig de deslocar-se para o exterior. Remember Tim Lopes. Denúncias eram aparentemente singelas: bailes funk, drogas, sexo.

''Chuparam''

Cartaz da Oficina de Música ''chupou'' uma vinheta de programa de rádio (e da Educativa) do cartunista Solda sem citar a autoria ''música que entra por um ouvido e não sai pelo outro''. Entre órgãos oficiais é saudabilíssimo.

Folclore

Um político da terra, décadas passadas, esteve envolvido num episódio de corrupção sexual de menores e teria com o passar dos anos mudado de linha, virado o fio. A Boca traduziu assim o fato: antes ele andava com uma camisa de Batman e depois a inscrição mudou para Bata-me.

Nicho criminal

Gaeco fazia devassa em 60 casas de Almirante Tamandaré: tráfico de drogas.
Tempos atrás tivemos lá assassínio em sequência de mais de dez mulheres.

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