LUIZ GERALDO MAZZA
Gabriela e o escorpião
Mais uma vez, e como fizera anteriormente, o senador Requião bloqueia interesses do Paraná em empréstimo internacional anunciando resistência semelhante aquela que, junto a Osmar Dias na Comissão de Assuntos Econômicos, tentou para impedir a chegada das montadoras. É o que se pode esperar dele, não há perspectiva diferenciada, por todo o seu estilo ao longo de uma carreira. Quem deve, a essa altura dos acontecimentos, fazer uma autocrítica é o paranaense, de um modo geral, que nele votou três vezes para governador, a prefeito da Capital, a deputado estadual e a senador. Sessão de silício, de autoflagelação para purgar um pecado irremissível.
Como Gabriela pode lembrar que nasceu e cresceu assim e também como o escorpião justificar-se na fábula de que essa é a sua natureza após ser levado por um animal que o conduziu a salvo a outro lado do rio e o picou mortalmente, colocando a sua razão de traço existencial.
Dá para lembrar se Beto Richa não desse tamanha preferência a Ricardo Barros na disputa do Senado e ajudasse mais o melhor qualificado, Gustavo Fruet, não teria nem esse embaraço e muito menos a derrota em Curitiba. Estaria com moral para o protagonismo nacional no PSDB e não ao papel secundário que desempenha.
De grão em grão
Mais R$ 110 milhões foram transferidos da economia da Assembleia Legislativa para o Executivo. À imprensa o beneficiário, Beto Richa, afirmou que a doação anterior foi destinada à saúde. Enquanto o senador enche o saco, de grão em grão a galinha enche o papo.
Troco
Se Beto Richa recusar-se a subsidiar o transporte de Curitiba, depois de fazer carreira, eleger-se e reeleger-se prefeito, em cima do congelamento das tarifas, não poderá criticar Requião por suas ambivalências como a de vetar um projeto que ele próprio suscitou em 10 de maio de 2010. Com a palavra o clínico diante de reação tão paradoxal do irrequieto senador.
Acordão
O que houve na CPI do Cachoeira se repete sempre como rotina no Paraná: agora querem botar pano quente na troca de denúncias em torno do pedágio e todo o dito fica por não dito, apesar de o Cleiton Kielse ter acusado de forma genérica parlamentares de chuncho com as concessionárias. Uma vergonha.
Folclore
Um repórter investigativo, Mauri Konig, vai ter que ''asilar-se'' do país porque o governador não controla a polícia que o ameaça seguidamente. Se a autoridade maior não tem prestígio e força para conter a truculência é porque estamos perdidos. Até hoje a história de policiais encapuzados que invadiram mansão não ficou esclarecida. A crise é de autoridade. E depois a polícia civil não quer o Ministério Público em investigações.
Comissariado
Uma consequência do basismo assembleísta é aquela de criar no sindicalista a vocação de futuro componente do comissariado de uma ordem com todo o jeito de totalitária.
Natal
Tudo o que se fizer para consolidar o Natal de Curitiba no calendário de eventos nacionais será válido como essa de animar o Centro Histórico já se saindo também no Carnaval.





