LUIZ GERALDO MAZZA
Espírito da CPI
Espera-se que Gustavo Fruet no comando da prefeitura de Curitiba aja com a mesma inflexão, dura e sem concessões, que adotou na CPI do mensalão. Seria decepcionante, depois de fazer alusões breves a um herança já advinhada nas primeiras e superficiais observações como desagregadoras, que nada fizesse no que concerne aos desvios e omissões.
O compadrio orgânico que protege os estamentos políticos é uma constante no Paraná como estilo e atitude. Nunca vimos o Judiciário e o Ministério Público estadual fazendo cobranças rígidas a respeito, tal a ordem acomodada que marca o nosso jeito de ser nessas questões. Mesmo quando, nos anos 60, vimos a
atoarda contra Moisés Lupion ela partia, quase exclusivamente do seu secretário de Justiça, Rubens Requião, investido no papel do inspetor Javert, na montagem de processos que acabaram caindo no esquecimento como o de dinheiro da campanha dos hansenianos e da Petrobras lançados na conta do procurador oficial no Rio de Janeiro.
Nem sempre a loquacidade é correspondente à eficiência das provas colhidas e a expectativa da dureza necessária pode cair na esterilidade de sempre, o que pegaria mal para quem se deu tão bem como participante do maior espetáculo político e psicossocial do Brasil de todos os tempos no mensalão.
Em Londrina
Já no segundo polo urbano do Paraná, Londrina, as expecativas geradas com a eleição de um não político, Alexandre Kireeff, são de que haverá ruptura, no sentido mais amplo da expressão, do ciclo terrível imposto pelo populismo, em sua pior tradução, há mais de quinze anos, acoplado à corrupção, e que atinge Prefeitura e igualmente a Câmara Municipal com prefeitos e vereadores, afastados e presos, quadra inconcebível para quem teve gestões como as de Milton Menezes, José Richa, Hosken de Novaes e especialmente a figura paradigmática do engenheiro Wilson Moreira. Londrina tem uma vantagem sobre Curitiba: a sociedade inconformada e atuante o que revigora instituições como o Ministério Público e o Judiciário e a livra dessa acomodação pegajosa e passiva, marca do viver curitibano.
Tecnocracia
Quando os políticos perdem espaços voltam-se contra o que chamam tecnocracia como se dava por exemplo no regime militar e tivemos os melhores momentos de eficiência em PIB acumulado e em honestidade, apesar do autoritarismo. A primeira lista de auxiliares de Gustavo Fruet é majoritariamente do universo acadêmico, o que é sintoma de renovação, o que não significa que renunciem a ação política, que será ditada pela doutrina do governo. Isso é novidade aos nossos padrões: um governo com uma doutrina.
Retração
De janeiro a outubro a economia paranaense, segundo o Ipardes, retraiu 1,3%, embora a maior parte do setores tenha registrado oscilação positiva. Madeira cresceu 16% e maior queda a de produtos químicos com menos 11,9%. Permeando esse quadro a queda de menos 10,4% em veículos e alta do comércio em 10,1%.
Folclore
Argumentar taxas altas de Ibope de lulistas como excludente dos desvios é esquecer que Hitler também foi consagrado em eleições, ibopes estratosféricos.





