LUIZ GERALDO MAZZA
Londrina e suas reações
Sensível ao acompanhar o seu ajuste nas estatísticas nacionais, Londrina às vezes adota um viés pessimista, como se essa versão fosse progressista, em relação à sua posição no ranking das estatísticas. Ainda agora com os relatos do Produto Interno Bruto e de sua expressão ''per capita'' percebeu que estava fora do clube das cinquentas mais ricas cidades do Brasil como se aí houvesse um sentido de perda, tal qual se deu quando o IBGE demonstrou que ela deixara de ser a terceira cidade mais populosa do Sul do País ao perder a posição para Joinville, maior expressão econômica de Santa Catarina.
Há muito venho demonstrando que ao Paraná a melhor das aferições é com o País meridional, o Sul, do que fazer outras analogias e tenho recordado que a ideia - força de Paulo Pimentel, a de que seríamos o segundo estado do Brasil, era apenas um impulso bem intencionado de autosuperação, mas sem base real e tanto que até hoje em vários indicadores, dentre eles, o Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, que cruza dados socias e econômicos, nos coloca em terceiro lugar no chamado Sul Maravilha.
Esta ''FOLHA'', sismógrafo dessas oscilações, destacou em manchete a posição de 53 dentre as mais pujantes e cujo ritmo de crescimento, até 2010, estaria ameaçando a quarta posição no ranking estadual para Maringá (13,5%) e Paranaguá (32,24%) quando sua expansão foi de apenas 11,89%.
Uma filosofia
Uma das formas de crescimento mais ajustadas foi justamente a do Norte com aquilo que se denominou de cidades-cogumelo, no fervor da cultura do café, com as urbes surgindo por cissiparidade. Na sequência os polos mais dinâmicos como os de Londrina e Maringá foram cedendo espaços aos vizinhos que ganhavam autonomia. Essa redistribuição de espaços e de influência, a partilha dos benefícios da igualdade em termos territoriais, gerou uma comumidade mais equilibrada.
O fator profundo de desnível econômico está na questão locacional que tanto favorece a Região Metropolitana de Curitiba com a sua industrialização de vanguarda e que fez por exemplo São José dos Pinhais, segundo PIB, com o aporte automotivo, ultrapassar Araucária, o terceiro, a despeito das expansões industriais da Petrobrás. É um desafio especialmente ao governador Beto Richa, por sua origem londrinense, e extensiva ao seu secretário de Indústria e Comércio, Ricardo Barros, líder também da região, formular uma doutrina adequada para evitar o aprofundamento dos desníveis com medidas de correção impostas pelas circunstâncias e sem artificialismos, mas que indiquem as vocações que devam ser estimuladas.
Venho demonstrando que um maior adensamento do eixo industrial Curitiba-Ponta Grossa (e de repente Paranaguá aí se insere em funções industriais que possam ser acopladas ao complexo portuário) tende a agravar desníveis se o núcleo (se é que existe) estratégico do governo não indicar alternativas para os que não se beneficiam de fatores infraestruturais e de escala. Exemplos isolados como os de Cianorte e Apucarana, embora a sua expressão, indicam que as saídas possíveis nem sempre atingem as dimensões das desejáveis.





