LUIZ GERALDO MAZZA
Analogias impossíveis
Embora o poder atribuído aos estafes - hoje mais em destaque pelos desvios de conduta - não dá para comparar o nível intelectual e operativo daqueles que serviram administrações anteriores do que os atuais. De Munhoz da Rocha para cá - e isso significa um recuo aos anos 50 - a degradação foi se tornando visível. Já não dá para fazer qualquer tipo de comparação com o comando, pois Munhoz foi o último intelectual de verdade no governo. Também não temos agora como anteriormente um assistente para doutrina como os tivemos com Samuel Guimarães da Costa que atuava antes de Moisés Lupion, Norton Macedo Correa (o penúltimo cabeça como parlamentar antes de Gustavo Fruet e cuja massa crítica facilitava a visão de governantes) que foi um elemento-chave de Ney Braga ao lado de outro gênio, o jornalista José Augusto Ribeiro.
Era possível detectar nas administrações - e isso se deu na de Adolpho de Oliveira Franco - cientistas políticos e filósofos como Fausto Castilho do norte pioneiro e de um Ubaldo Puppi, ambos diretores da Biblioteca Pública da qual foi também o humanista Lamartine Correa Lira. Ubaldo foi assistente de Jacques Maritain, o filósofo dos matizes do catolicismo. Como também nessa mesma época tivemos na equipe do general Alípio Ayres de Carvalho, pioneiro do planejamento no Paraná, o pontagrossense Eduardo José Daros que chegou a dirigir o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, e que foi assistente nos Esteites de um dos maiores pensadores marxistas Paul Baran. Felizmente no caso da Biblioteca Pública uma recuperação com seu atual diretor Rogério Pereira, escritor, editor, bibliófilo e comandante do ''Rascunho'', jornal literário de circulação nacional. É, infelizmente, uma resistência isolada.
O não pensamento
Vivemos o momento do ''não pensamento''. Ninguém, ao que se saiba no governo, pensa o Paraná, a sua perspectiva, o seu horizonte. Um governante de ação como Ney Braga - e aí na praxis levou vantagem sobre Munhoz que o lançou na área - carecia desses suportes como Norton Macedo e José Augusto Ribeiro e daquelas revelações produzidas pela ação de Alex Beltrão na expansão da Codepar-Badep que revelaria um economista de profundidade como Francisco Borja Magalhães e um operador como Luis Antonio Fayet isso tudo com a coordenação inspirada de um Karlos Rieschbieter.
Tivemos poucos estadistas, mas um deles inegavelmente foi Pedro Viriato Parigot de Souza, o genuíno consolidador da Copel e dos seus quadros. Na ação prospectiva tivemos Belmiro Valverde Castor Jobim, fundamentador dos planos de médio e longo prazos que permitiram a arrancada de feitos revolucionários como o programa de pavimentação subdimensionada do governo Canet Júnior, tornado modelo por bancos internacionais.
Embora revelando quadros como os da equipe de Jaime Lerner, mais o prefeito do que o governador, excluído o mérito do deslanche das montadoras, estamos hoje em ciclo bastante crítico: o cenário é de uma pobreza sáfara, percebe-se que agora as classes conservadoras pensam e atuam prospectivamente bem mais do que o governo num esforço para definir horizontes da economia.
Ainda bem que nos quadros existentes resistem figuras como Luis Eduardo Sebastiani na concepção administrativa e o senso agudo de coordenação de Gilmar Mendes Lourenço no Ipardes. Precisamos melhorar e muito! Comum detalhe: cadê os estamentos e as referências profissionais nos quadros permanentes?





