Joga ostra na Jeni

Pelo ocorrido esta semana - a tentativa do Ênio Verri em devolver ao governo estadual, por falta de projetos, as acusações que faz ao federal por nos ter abandonado - é uma hipótese do divisor de águas que se formará em 2013 com vistas à sucessão. Como na canção de Chico Buarque um e outro, governos estadual e federal, se transformaram na Jeni, alvo de um ataque fecal de lado a lado, prova também da falta de inspiração dos contendores e que explica, por essa falta de talento e inteligência, o grau de marginalização que sofremos.

Ninguém esquece do oba oba, nacional e regional, do PAC da Copa que levou o então governador Pessuti a ir ao exterior para o lançamento da nova. Criaram secretarias, uma estadual, outra municipal, para cuidar do tema e ao vermos a posição ocupada nos investimentos entendemos que o festival só interessa aos que gostam de aparecer. São R$ 234 milhões no estádio, R$ 543 milhões em mobilidade urbana, R$ 84,5 milhões no aeroporto num total de R$ 862,4 milhões, ou seja 3,2% dos investimentos, o penúltimo da lista de 12 capitais. Se fazemos tanta celebração é porque não merecemos mais. Ninguém sorri quando está sendo indiscriminado, a não ser quando é um idiota confesso.

Memória
Em 1950 tivemos padrões de jogos da Copa que não teremos agora como Espanha, hoje a primeira do ranking, e Estados Unidos e Paraguai e Suécia. O governo teve que meter a mão no bolso de palhaço para pagar os gastos porque os jogos não renderam o esperado. A amnésia, no caso, é seletiva, intencional.

Ciclovia
Agora virou moda defender a bicicleta na mobilidade, mas na ciclovia do Jardim Botânico botaram uma dessas mobílias urbanas no meio do trajeto. Em vez da pedra, do poema de Drummond, havia trambolho publicitário no caminho.

Hiperativismo
De repente deu no governador aquilo que ataca as crianças: hiperativismo. Descobriu que já queimou a metade do mandato e passou a dar ordens para pavimentar Pinhais-Piraquara e Cerro Azul-Doutor Ulysses. Agora vai?
E regozige-se Londrina com a chegada da Unidade Paraná Seguro porque seus problemas acabaram.

Folclore
Condoído com a situação aflitiva dos trabalhadores (coleta do lixo, abertura de canais, alargamento de valetas) o prefeito Ney Braga, além das luvas e botas de borracha, deu uma lata de leite Ninho para cada operário. Boa parte deles transformou o reforço alimentar em pinga com capilé.

Pleno emprego
Em clima de pleno emprego, a construção civil vai ter em 80 mil trabalhadores no setor para cobrir 1 milhão e 800 mil metros quadrados de construção. A atividade perdeu o pique anterior, a ''bolha'' de dois anos atrás e já se estabilizou. Obras de porte em Curitiba são de maturação longa, dois anos no mínimo como as do condomínio à frente do Shopping Mueller.

Um desconto
Quase pegou a tese do desconto nas penas do mensaleiros. Deu dois votos e inflexões acadêmicas profundas, a episteme do vácuo.

Placar
Sugere-se um placar na frente do Legislativo com nomes dos favoráveis à previdência complementar dos deputados estaduais.

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