Institutos indispensáveis
Institutos de Pesquisa e Planejamento Urbano como os de Curitiba e Londrina precisam ser preservados e, o quanto possível, distanciados da política. Todos os feitos da capital paranaense - Plano Diretor, intervenções, definição espacial do trabalho e do lazer - se devem basicamente ao Ippuc, a quem denominei, aqui mesmo nesta FOLHA tantos anos passados, de ''Sorbonne do Juvevê''. Pois a despeito de todos esses créditos que projetaram a cidade nacional e mundialmente houve, ao longo do tempo e mais em datas recentes, um trabalho de desmanche que de cara provocou a migração de cérebros.
Havia uma usina de projetos, desde o início, na qual uma equipe de caráter multidisciplinar analisava, normalmente centrada em pesquisas, diagnósticos e propunha intervenções como as que definiram o porte e as características da Cidade Industrial, a concepção dos parques e suas funções, a conquista de um espaço verde cada vez maior. Isso não se dá agora, numa fase de boom imobiliário, com o que se coloca em risco toda a doutrina acumulada por uma preferência aberta ao volume de negócios que desvela a ausência de referenciais mínimos em defesa da qualidade de vida ou dessa abstração da moda do desenvolvimento sustentado.
Esse parece constituir-se num dos compromissos do novo prefeito Gustavo Fruet, como o de Londrina, certamente, haverá de tê-lo com o Ippul. O adensamento imobiliário em Londrina em linha vertical é uma das evidências de sua política de usos do solo, daquilo que objetivamente foi feito, e hoje evidentemente não há espaços como os que tínhamos na gestão José Richa ao tempo de intervenções como as havidas na transferência da linha férrea que Curitiba prometeu e programou e não fez em função da atoarda ambientalista.

Criação de quadros
Uma das sequelas do desmonte do Ippuc em Curitiba é a perda de um referencial para o monitoramento da cidade, mas também um bloqueio à formação de massa cinzenta para operar na área e consequentemente na renovação de quadros. Hoje as lideranças ali formadas nas várias especialidades, dentre elas a do transporte público, prestam, como aposentados, serviços de consultoria até internacional, tal qual se deu em nível estadual com a Copel, que tem hoje seus mestres em hidráulica e hidrologia presentes nas grandes barragens, inclusive a maior do mundo, na China, e muitos deles operando na iniciativa privada em função do novo modelo energético.
Essa constatação é que define bem as dimensões de uma tragédia. Paramos de formar quadros naquilo em que nos destacávamos mundialmente e obviamente abandonamos a cidade. O Brasil parece não aprender com esse tipo de experiência: tínhamos no serviço público federal o Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp), que operava como uma universidade na formação da tecnoburocracia operativa.
No governo paranaense felizmente ainda existe o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), uma das reservas da inteligência militante nos processos de prever para prover, ainda que muito pouco estimulados pela figura do governante. Ney Braga, nossa maior referência em ações públicas, jamais deixou de sintonizar-se primeiro com a área do Pladep e depois com as ações dos técnicos da Codepar-Badep e suas ramificações.

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