LUIZ GERALDO MAZZA
Bichos amestrados
Em parques públicos é possível estórias como a dos jacarés do Barigui, dos quais sobrou apenas um filhote. As melhores são do Passeio Público: a dos estudantes que churrasquearam um javali, dos atiradoress que se divertiam abatendo as aves migratórias, essas do lado negativo; a do orangotango que saiu da jaula e foi para o bar do Pasquale e imperceptivelmente ''filava'' a caipirinha do senhor circunspecto que lia editoriais do ''Estadão'' e que provocou o desmaio de dona Isaura que viu a cena de trás do balcão; a da sindicância do sumiço de marmitas de operários e que apontou como autores macaquinhos solertes que agiam no arvoredo e a do búfalo (com um anel no focinho como o lançador do piercing) que subiu a rampa de um dos lagos e provocou horrores à meia noite na rodoviária antiga, aquela do Guadalupe, com gente se escondendo na parte superior do prédio e na elevada da igreja e descoberto por um bebum foi por ele conduzido em plena madrugada de volta ao seu domicílio. E do passado mais distante em que Curitiba tinha menos prédios e muito mais frio, e que se ouvia o urro do leão, facilitado pela acústica. Há ainda a cena do José Domingos Scarpelini que pescou uma carpa no lago esverdeado e levou-a para dar o sangue ao agnóstico e comunista João Saldanha que tinha tido uma crise de enfisema e falhava o ar residual. Saldanha, o João sem medo, bebendo o remédio do Scarpa na casa de Anfrísio Siqueira é realismo fantástico nessa ponte solidária entre homens e animais como a do pau dágua samaritano que devolveu o búfalo foragido ao seu destino.
Crise
Querem mais uma prova da quebra do caixa do governo estadual? No anteprojeto 564 do deputado Scanavaca revoga-se a lei 11.722 de 1997 pela qual o Hospital de Clínicas e outros tinham pagas oficialmente suas taxas de água e energia. Pode também ser uma ''dica'' sutil aos trabalhadores em greve da Copel ou a uma possível rebelião salarial do gênero na Sanepar.
É também uma forma de irritar o governo federal em manobra idiota e com o tom de ausência de inteligência e massa cinzenta que nos agride cotidianamente.
Por acaso o governo estadual como usuário paga as contas?
Analogia
José Richa, o pai, criou a paridade entre aposentado e o pessoal da ativa no
funcionalismo, uma revolução; o filho, Beto Richa, bota ela em ameaça no seu plano de previdência.
De novo
Protestos na frente da Polícia Federal em Campo Largo contra a prisão de dois manifestantes que fecharam a rodovia.
Folclore
Maurício Fruet prometeu um pato para colegas no Legislativo. Abriu a porta da presidência e soltou um dos patos no recinto avisando ''aguardem mais um pouco que já trago outros!''
Luta de classes
Segundo copelianos, a empresa deu 20% para a hierarquia superior e nega 8,5% para a galera.
Calhorda mor
O calhorda mor na questão previdenciária é o governo: nunca pagou sua parte.





