LUIZ GERALDO MAZZA
Pendurado, sim
Em tudo há a impressão de que o governo estadual atravessa uma das crises mais duras de sua história: renegociou com o Tribunal de Contas a moratória do ajuste com os aposentados (o furo da ParanaPrevidência se aproxima dos R$ 8 bi), admite, embora as poucas realizações, que gasta bem mais do que arrecada. E isso tudo converge para a montagem do orçamento já em trâmite na Assembleia Legislativa, ainda ontem discutido com 1.570 emendas e 114 delas de caráter coletivo.
Outra evidência da pendura é a constante busca de empréstimos, nove deles acertados, o mais recente de R$ 2,5 bi (só em folha de pagamento daqui até dezembro R$ 3 bi, nada menos que três, isso sem falar em pagamentos de férias e novas contratações) e também a abertura do processo de ''venda'' a bancos da folha do funcionalismo a um lance mínimo de R$ 6,5 milhões.
Está pobre, mas não perde a soberba e assimila todas as aquisições de prédios do Judiciário como também a de um hotel de luxo para a Procuradoria Geral. É quando a austeridade se torna impositiva, sem outra opção, que se percebe a força do desperdício como o dispêndio milionário com a Copa.
Um setor alega que as dificuldades decorrem da herança Requião-Pessuti, mas o fato é que tiveram tempo para a denúncia e não o fizeram ao menos com um mínimo de habilidade.
Ave vídeo
Esperemos que novos vídeos e sua circulação nas redes sociais levem o governo a agir com juízo como fez agora ao punir os PMs que agrediram a torcedora coxa muma abordagem tecnicamente desastrosa. Quem sabe se obtenha aquilo que a Globo conseguiu flagrando no Setor Histórico dois PMs, anos passados, no ato singelo de ''depenar'' automóveis. Aí não há como esconder.
Afastamento dos PMs se tornou pedagógico para exigir calma dos torcedores, como se viu ontem no encontro da autoridade militar com os clubes para ajustes em relação ao jogo no Ecoestádio no fim de semana.
Literatura
Tirando casos como o de José Mindlin, raro é o exemplo de empresário engajado na divulgação da literatura como ocorre com Marcelo Almeida com seu clube (que chama de Encontos) de leitura. Dia 26, quase no quinto ano de atividades, promove a leitura e o debate do conto de Domingos Pelegrini ''O encalhe dos trezentos'' que transforma uma ocorrência comum - caminhões atolados entre Cianorte e Cruzeiro do Oeste em agosto de 1958 - numa obra de arte. Pelegrini, como no primeiro encontro, estará discutindo com os aficcionados no Teatro Paiol, segunda-feira, às 19h30. Isso é também integração cultural.
Mediação
Cada governo tem escritório de advocacia preferencial (que cresce muito no período) como conta igualmente com mediador de precatórios.
Folclore
O general Aragão era pintor e os políticos para bajulá-lo (afinal era tempo de regime fardado) compravam seus quadros. Consta que um óleo de Aníbal Khury estava pronto quando foi cassado e o jeito foi alterar o quadro e transformá-lo num herói da Marinha de Guerra, o almirante Barroso.
Greve
Copel sempre se entendeu com seus trabalhadores. Até nisso o governo atual inova com a greve de hoje. Inova para trás.





