Oligarquia luminosa

Por vezes nos defrontamos com a intervenção, ainda persistente, do viés parenteralista em nossa política. Nem todos, no entanto, são ruins, embora Ney Braga, por exemplo, tivesse nomeado apenas um irmão para a Fundepar (professor Guilherme Lacerda Braga) e Bento Munhoz da Rocha haver se preocupado em trazer a Universidade para o governo (Milton Carneiro, João Xavier Viana, dentre outros). Quando Munhoz da Rocha era governador tivemos uma situação curiosa com dois parentes seus no comando do Legislativo e do Judiciário, o criminalista Laertes de Macedo Munhoz e o constitucionalista José Munhoz de Mello, originário da corrente pessedista. Tal fato iria repetir-se, anos mais tarde, já sob a ditadura militar, com Ney retornando, por via indireta, ao Palácio Iguaçu, com seus parentes Fabiano Braga Cortes na Assembleia e Marino Bueno Brandão Braga no Judiciário. O triunvirato é significativo, todavia não suficiente para configurar uma patologia nessa abrangência de quase 30 anos.
Como se vê, ao menos nos exemplos citados, nada há de restrição, por mínima que seja, à representatividade e à competência das figuras listadas. Dir-se-ia que é uma exceção como também não há nepotismo em Bernardinho incluir o filho dele, Bruno, na seleção de vôlei do Brasil ou no fato de a filha de Fernanda Montenegro, nossa maior figura do teatro, Fernanda Torres, ser o que é. Temo que essa linha de argumento seja usada por dirigentes, como os nossos, que praticam aberto nepotismo com irmãos e filhos nem sempre com QI mínimo.
Moisés Lupion nomeou o irmão José para a presidência da Copel e teve que demití-lo quando o advogado Rubens Requião, acionista minoritário da empresa, denunciou que as linhas de transmissão de energia passavam por suas terras, o que mostra que já nos anos 50 havia esse tipo de vigilância que nem sempre órgãos como o Tribunal de Contas e Ministério Público detectam.

Nem toda é ruim

Fica o exemplo de que nem toda oligarquia é necessariamente ociosa e aguda na exploração e de poucos resultados em favor da população. O cientista político Ricardo de Oliveira desenvolveu uma tese em cima da nobiliarquia, recorrendo até a genealogia, para evidenciar os grupos dominantes no Paraná. Nosso melhor pensador liberal, Bento Munhoz da Rocha Neto, foi um dos que no governo se recusou a abusos clânicos. Numa entrevista sua esposa, Flora, da linhagem Camargo, relata que antes de decidir a construção do Centro Cívico reuniu familiares para lembrar que não admitiria que qualquer um deles se valesse, para benefício próprio, do empreendimento, que era a mais abrangente intervenção urbana na Capital.
Não dá para incluir políticos modernos como Jaime Lerner, Saul Raiz, José Richa e os próprios Dias, Osmar e Alvaro, numa vinculação imediata com tais raízes, ainda que parentes de Camargo e Munhoz da Rocha estivessem a apoiá-los, tal qual se deu com Affonsinho que não pode assumir o governo por causa de um discurso esquerdista que não fez no PDC. Na hora da convenção em Ponta Grossa (onde os militares tiveram forte influência) fez as correções, mas os assessores encaminharam à imprensa o texto de Paulo Ricardo dos Santos, entusiasta da abertura à sinistra italiana, o que lhe valeu o veto dos milicos.

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