Sempre os mesmos
  O ex-juiz de Direito e político barulhento, Jamil Nakd, usava o bordão ‘‘sempre os mesmos’’ para mostrar como era repetitiva a nossa política em função da carência de quadros. Já nos debruçamos sobre o tema por mais de uma vez: de 1982 para cá disputaram o governo os Richa pai e filho, Lerner (duas vezes eleito), Requião (três vezes vitorioso), os irmãos Osmar e Alvaro Dias. É por essas vezes, que mesmo prevendo a derrota do candidato a prefeito de Beto Richa na Capital especulei que ainda ele estaria em melhores condições de reeleger-se, ainda que aparentemente a ministra Gleisi Hoffmann parecesse a maior beneficiária da consagração de Gustavo Fruet.
  Tal circunstância que parece muito boa para o atual ocupante do governo, que não faz uma gestão sequer razoável, é péssima para o Paraná com a constatação de pobreza franciscana de quadros. Por sinal que o marketing, mais do que feitos reais em obras e atitudes, é que tem preenchido o vazio do cenário.
  Outra expressão de Nakad alusiva à falta de comiseração dos políticos aos dramas da pobreza era ‘‘coração de pedra’’. Teríamos hoje que além de levá-la em conta acrescentar que teríamos muitos ‘‘cérebros embutidos’’ por aí a decidir o rumo de nossas vidas.
Um paradigma de 1962
  Nos anos 60 tivemos uma ‘‘revolução’’ no Paraná com as ações de Ney Braga e que teriam continuidade até a chegada do PMDB, embora no começo mais ameno com José Richa, no governo. O sentido voluntarista, determinado e agregador, de Ney se inicia com o fato de ter sido eleito com minoria e carecendo urgentemente de uma aliança do seu PDC-UDN com especialmente o PTB para as reformas que se dispôs a fazer como a criação do Fundo de Desenvolvimento Econômico que se nutria de uma parcela do então Imposto de Vendas e Consignações para o fim específico de investimentos na infraestrutura e na sequência no fomento agroindustrial, via Codepar (Companhia de Desenvolvimento Econômico), mais tarde Badep (Banco de Desenvolvimento).
  A própria eleição de Ney que se confrontava com Nelson Maculan e Plínio Franco Ferreira da Costa negava o que ocorre hoje com a falta de gente para tarefas de transformação. Conseguiu ganhar a confiança da oposição então majoritária e teve de cara um acidente de percurso, já que apostara tudo em Jânio Quadros, com a renúncia do presidente e a quase guerra civil que se seguiu com a tormentosa posse de Jango. Mas é com Jango que vai fazer um dos seus lances mais ousados com a pacificação dos colonos do oeste-sudoeste e uma distribuição de mais de 50 mil títulos de terras através do Grupo Executivo de Terras para o Sudoeste (Getsop), orgão da União, secretariado pelo jovem engenheiro Deni Schwartz.

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