Mais apagões

Quando FHC disse que a herança de Lula para Dilma era pesada, a presidente, até pela necessidade de fortalecer o líder desgastado pelo mensalão e para revelar a unidade no partido, atacou o adversário e lembrou para atingí-lo o apagão energético. Poucos meses depois tivemos um apagão que alcançou mais da metade do território e a que se seguiram outros, como os registrados em dias recentes. Isso prova que a forma como o Brasil é conduzido não dá direito a
ninguém de tirar sarro em falhas estruturais como essas.
Visivelmente refém das fórmulas emergenciais que adota para manter o consumo, como no caso do IPI dos automóveis, provavelmente já em fins de dezembro será levado o governo a prorrogar a medida a pretexto de evitar o desemprego e desacelerar o consumo num setor delicado.
Agora está ameaçado de algo pior: o desabastecimento dos combustíveis e com a Petrobras em ponto de quebra pelas formas de subsídio usadas para evitar que a gasolina e o óleo diesel, nos preços reais, nos coloque diante de uma inflação à altura das que já enfrentamos e aí não haverá espaço para ludibrio, qualquer forma de dissimulação, ao gosto da sociedade do espetáculo a quem tanto prestamos reverência. O apagão é de seriedade, ontem como hoje. Ontem com a viração para a reeleição de FHC e com as artes do mensalão, ora vinculadas até ao assassinato do prefeito de Santo André; hoje com a fuga à realidade, o clima de oba oba com a sediação da Copa e dos Jogos Olímpicos, e o trauma do que está por vir em 2013, antessala das eleições estaduais e nacionais.

Atraso

Segundo a Infraero, as obras do Afonso Pena em cima da Copa mal alcançarão os 30% do conjunto. Mas a pose dos secretários estadual e municipal da Copa é a mesma. Tanto em relação a isso como à ampliação da Arena, vetada pelo TC.

Manifesto

De novo manifestação, agora com 150 pessoas, na frente do prédio das varas cíveis. E o novo prédio a ser construído tem restrição contrária no CNJ.

Analogia

Maria Teresa Uille Gomes, secretária de Justiça, pretende uma avaliação analógica em outros países sobre parâmetro de tolerância nas drogas. Em Ponta Grossa 35% das presas consomem até 10 gramas de cocaína e metade 20 gramas.

Folclore

Está decretado um esconde-esconde sobre Beto Richa: como ele não viu a prova em Abu Dhabi descobriu-se que ontem houve outra e que ele mais aprecia. Nem o Neymar é marcado tão de perto.

Tucanadas

Cogita-se de eleger Alvaro Dias à presidência nacional do PSDB. Espera-se que o mito da autofagia interna não volte a funcionar. Já houve antes.

Desistência

Legislativo estadual desistiu de gastar R$ 16 mil para erradicar pombos com medo de que eles ficassem tão gordos (conforme justificações contábeis) quanto os do Porto de Paranaguá que faturavam os restos de grãos.

Leviandade

Leviano quando rompeu o contrato com a Consilux, o que não era para valer, agora o prefeito Ducci sugere que um loby combate o metrô e atinge, sem qualquer sutileza, o seu sucessor.

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