LUIZ GERALDO MAZZA
Partido e indivíduo
Nessas eleições, principalmente no caso dos dois maiores colégios eleitorais, ficou visível a força desequilibradora dos candidatos individualmente sobre partidos e alianças. Aliás, até pela baixa expressão dos partidos como forças agregadoras de um pensamento, de uma doutrina, há esse desvio carlyleano (a apologética do herói) no exercício político. Já se disse com sobras de razão que um Lula é maior do que o PT e mostrou, no andamento da campanha recente, que está com toda energia, especialmente no empenho de risco e vitorioso em São Paulo com Fernando Haddad, apontado como revide do mensalão, o que, convenhamos, é uma ilusão dos vitoriosos: ter alguns dos seus maiores líderes dentro em breve em possível uniforme zebrado de presidiário é algo que não se compensa facilmente, ainda que com um importante êxito eleitoral.
É verdade que o PSD, no caso de Alexandre Kireeff, é integrante da base de apoio de Beto Richa, o que não o coobriga a integrar-se fielmente, pelo tipo de campanha que desencadeou na negação do político, exercício, como já disse, também de Lerner apesar de ter dado ao PDT no Paraná seu máximo momento de glória quando a agremiação teve o maior número de prefeituras. Pela forma como agiu e como colocou as questões da cidade dependerá em muitos casos do apoio suplementar e até básico do governo e tem pontes também com o governo federal, através do deputado federal Eduardo Sciarra.
Tropa de ocupação
Enquanto decorre o ritual da transição em todos os municípios há aquela preocupação de que a tropa de ocupação não seja exatamente a que teria os maiores méritos pelo feito. A triagem, normalmente dolorosa, também se submete aquilo que o STF fazia com as penas do mensalão na dosimetria: qual o posto para o animador de comícios, qual a secretaria para o financeiro da campanha?
Muitos são os chamados, diz a Bíblia e confirma o vestibular, mas poucos os escolhidos. Por sinal que temos, no governo estadual e no municipal, postos demais que explicam a sua irracionalidade e seu alto custo sem falar nas patologias das superposições e dos paralelismos. Justamente para acertar as demandas dessa massa de pretendentes (aí novamente o de Londrina leva enorme vantagem podendo enxugar seus quadros secretariais de forma expressiva) é que se hipertrofiou tanto o Estado, como se vê no número de ministérios no plano federal e no de secretarias estaduais e municipais.
Se há esse peso personalíssimo do vencedor, tanto em Londrina como na Capital, nada disso garante que se use o argumento para uma experiência inovadora, a da austeridade. O argumento debochado da governabilidade é que teria sido a causa geratriz do mensalão e de mocinhos se transfigurarem da noite para o dia em vilões de escassa imaginação, rudemente caricaturais.
Os agentes políticos não acreditam e por isso não cultivam a austeridade, elas lhes parece de direita e, portanto, reacionária; a de esquerda seria, como ensinava Ulysses Guimarães, a de nomear sempre os correligionários, dar-lhes espaço por seus méritos e sua intervenção no processo partidário. Todo discurso em cima da austeridade é olhado como teoria, o desejável, jamais o possível no pragmatismo dos ajustes. Quanto mais baixo o cortejamento das massas melhor o resultado para que os grupos se perpetuem no poder.





