O novo finalmente

Londrina está habituada ao papel do novo no que diz respeito à funcionalidade das instituições e que normalmente contrasta, principalmente nos últimos tempos, na permeabilidade eleitoral de sua população a formas larvares e adultas do pior dos populismos. Dessa vez depois de despachar dois prefeitos teve o mérito da ruptura ao escolher alguém fora dos arranjos dominantes e por isso caracterizável como o novo na figura do agropecuarista Alexandre Kireeff que restabelece o perfil da sobriedade de Wilson Moreira, Milton Menezes e de Hosken de Novaes.
Uma das caracterizações de Kireeff, a de não aceitar alianças, foi a do ''não'' político, empregada em Curitiba e no Paraná, discretamente, por Jaime Lerner. Como há um sentimento de resistência à fauna, fato reafirmado no absenteísmo (quase 20% deixaram de votar) e na elevada taxa de brancos e nulos, foi uma das alavancagens do postulante.
Em Curitiba deu o que tinha que dar: a vitória de Gustavo Fruet por suas credenciais, sua carreira, sua forte identificação (jamais cedendo aos populismos e reintegrando o ''intelectual'' no jogo político) com formas superiores de vanguardismo político e social. Sua situação lembrava a de Eduardo Paes, eleito no Rio com apoio petista, e figurante dentre os mais duros críticos, na condição de parlamentar, na CPI do mensalão.

Biderrotado

Um dos maiores derrotados do pleito foi o governador Beto Richa com a perda em Curitiba e Londrina, o que gera obstáculos para a sua reeleição, embora não a invibilize, já que ainda é dos mais agregadores. Se Gleisi não disputar, o que ocorrerá se mantiver-se no ministério, as duas soluções (Paulo Bernardo e Osmar Dias das forças lulo-dilmistas) seriam frágeis ainda para vencer Beto.

PT aceita?

A ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, colocou uma questão de princípio para o seu PT: a de aceitar, de forma republicana, o julgamento do mensalão. É o óbvio, mas isso não é fácil quando a cabeça está quente e ao mesmo tempo aureolada com as vitórias eleitorais. Elas foram tão sábias que premiaram o PSB, o que mais venceu em capitais, PSDB, PMDB, o DEM, o PSD. Poder político, ao menos municipalmente, está bem distribuído no Brasil.

Preconceito

Ratinho Júnior disse que pesou contra ele o preconceito curitibano: suas vitórias eleitorais na praça o contestam. A partir dessa eleição, mais do que as outras, é interlocutor obrigatório do processo político: eleitor lord.

Folclore

Nessa campanha eleitoral ficou mais uma vez demonstrado que a prepotência pode ser o sinal claro da pré-(im)potência.

Fim de festa

Um dos riscos da transição é o pessoal que está saindo fazer contratos novos como os de seguros. Olho vivo.

Falências

CPI das falências, agora com novo formato (a outra foi bloqueada pelo TJ), já tem o número necessário de assinaturas para ser instalada.

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